4 passos para evitar a hipocalcemia subclínica

4 passos para evitar a hipocalcemia subclínica

14 de novembro, 2020

Casos de hipocalcemia clínica (febre do leite) são raros na fazenda Nobis Dairy – no Michigan, EUA – atingindo apenas um dígito na maioria dos anos, em um rebanho de 1.000 vacas da raça Holandesa.

“Temos um programa de tratamento bastante agressivo com cálcio quando as vacas parem, então as deficiências normalmente não são um problema para nós”, afirma Kerry Nobis, um dos proprietários da fazenda. Portanto, foi com surpresa que ele descobriu casos de hipocalcemia subclínica (HSC) no rebanho, quando decidiu verificar algumas vacas no início deste outono.

“Havia um punhado de animais que estavam provavelmente na terceira ou quarta lactação e que tinham menos cálcio do que eu esperava, especialmente porque visualmente eles pareciam bem”, lembra Nobis.

O que ele experimentou é muito mais comum do que a maioria dos produtores de leite imagina, de acordo com Jesse Goff, professor da Iowa State University e veterinário especialista em gado de leite. “A hipocalcemia subclínica ocorre em quase metade de todas as vacas durante as primeiras 24 horas após o parto, quando os níveis de cálcio caem abaixo de 8 mg/dl."

Ele atribui a hipocalcemia, incluindo sua forma subclínica, à alcalose metabólica. “As vacas se tornam alcalóticas por causa do potássio das forragens com as quais são alimentadas. A alcalose bloqueia a ação de um hormônio regulador do cálcio, chamado hormônio da paratireóide, no osso e nos rins da vaca. Isso prejudica a capacidade da vaca de se adaptar à perda de cálcio no sangue pelo colostro e pelo leite no início da lactação”, acrescenta ele.

Vacas com HSC não apresentam sinais tradicionais de hipocalcemia, como letargia, orelhas frias ou incapacidade de ficar de pé. Não obstante, é provável que consumam menos ração e produzam menos leite, o que afeta a produtividade e a lucratividade. 

“Dependendo da rapidez com que se recuperam, as vacas hipocalcêmicas subclínicas podem produzir menos leite na primeira semana de lactação em relação ao que produziriam de outra forma”, relata Donna Amaral-Phillips, especialista em gado de leite da Universidade do Kentucky. Ela afirma que as perdas financeiras com a hipocalcemia subclínica são de aproximadamente US$ 125 por vaca afetada.

Além disso, Garrett Oetzel – veterinário e professor da Universidade de Wisconsin – relata que a HSC está associada a riscos maiores de metrite, febre pós-parto, BHBA (ácido beta-hidroxibutirato) e uma média mais alta de dias em aberto, 124 contra 109 dias.

A reação de Nobis ao encontrar HSC em algumas de suas vacas foi suplementá-las com cálcio, com base nos resultados dos exames de sangue determinados por uma máquina portátil de aferição de cálcio, o Lab 004, que é fabricado pela Arkray Inc., empresa com sede no Japão.

“Nossas vacas tratadas se recuperaram bem e a experiência mostrou que um programa agressivo de fornecimento de cálcio para essas vacas vale o dinheiro que investimos”, diz ele. Nobis acrescenta que muito do sucesso da fazenda em manter a hipocalcemia sob controle se deve à dedicação de seus funcionários.

Citando pesquisas conduzidas por Jessica McArt, da Universidade Cornell, Goff diz que é a hipocalcemia persistente no segundo dia de lactação que mais frequentemente resulta em vacas que acabam sendo sacrificadas. “Se você só puder colher uma amostra de sangue de vacas para avaliar o sucesso de seu programa de transição, eu escolheria fazer uma amostra de sangue o mais próximo possível de 36 horas após o parto”, recomenda ele. A razão é que vacas que ainda estão abaixo de 8,0 mg/dl podem ter maior probabilidade de desenvolver problemas como metrite e deslocamento de abomaso.

“Se eu pudesse tirar duas amostras de sangue, faria uma 12 horas após o parto e novamente 36 horas após o parto”, acrescenta. “Se o seu programa de transição estiver funcionando, a maioria das vacas terá uma concentração de cálcio no sangue mais alta às 36 horas do que no parto.”

Goff dá 4 recomendações para os produtores de leite:

1) Reduza o potássio da dieta do pré-parto

“Concentre-se na aquisição ou cultivo de gramíneas com baixo teor de potássio para dietas de vacas secas, evitando a aplicação de esterco em áreas usadas para cultivar forragem de vacas em transição”, recomenda. Além disso, colha as gramíneas quando estiverem mais maduras, pois as forragens maduras contêm menos potássio.

2) Use uma dieta aniônica no pré-parto para acidificar a vaca

Goff diz que muitos nutricionistas utilizam programas de balanceamento de ração que calculam a diferença cátion-ânion da dieta (DCAD). O pH da urina pode ser testado para garantir o conteúdo adequado de ânions. Segundo ele, quando o pH da urina do rebanho está em média entre 6,0 e 6,6 na semana anterior ao parto, a dieta está correta. Abaixo de 5,5 pH, você tem acidificação excessiva. “As vacas reduzirão o consumo de matéria seca para evitar o excesso de acidificação”, acrescenta. “Acima de um pH de 7,25, haverá pouca melhora no cálcio no sangue.”

3) Outra estratégia que Goff recomenda é limitar o cálcio da dieta por pelo menos 10 dias antes do parto

“Quando bem-sucedida, o corpo da vaca é levado a pensar que é deficiente em cálcio e começa a produzir hormônios para aumentar a absorção de cálcio na dieta e os mecanismos de reabsorção de cálcio nos ossos antes do parto”, explica ele. “O resultado é que a vaca pode se adaptar prontamente ao início da lactação.”

Com ambas as estratégias de dieta, é importante fornecer uma fonte de magnésio prontamente disponível para a vaca. O motivo é que as vacas hipomagnesêmicas também têm problemas com a homeostase do cálcio, explica Goff.

4) Outra opção é fornecer uma fonte de cálcio prontamente disponível para a vaca imediatamente após o parto

O bolus oral geralmente contém cloreto ou propionato de cálcio, que é rapidamente solúvel. Drench ou gel contendo cálcio podem ser muito eficazes, mas requerem mão-de-obra mais especializada para administrar para a vaca.

Goff diz que a administração de cálcio pode ser repetida 12 a 24 horas após o parto. Fornecer cálcio intravenoso para vacas de alto risco ao parto não é mais garantido, diz ele. “Parece prejudicar os mecanismos de adaptação da homeostase do cálcio, então a vaca realmente se torna mais hipocalcêmica no segundo dia de lactação”, explica ele “O cálcio subcutâneo pode ser útil, mas geralmente requer injeção em cinco ou mais locais para evitar a formação de abscesso”.

 

Fonte: Dairy Herd

Tradução: Equipe Canal do Leite

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