Controle parasitário é fundamental para a produção de leite

Controle parasitário é fundamental para a produção de leite

24 de agosto, 2020

A presença de parasitas no rebanho acarreta em uma série de prejuízos, tanto para o bem-estar animal como para a produtividade. De acordo com um estudo publicado pela Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária, as perdas econômicas globais geradas pelo problema podem chegar a US$ 14 bilhões ao ano.

Estas perdas são ocasionadas notadamente pela depressão do desempenho produtivo do gado. As verminoses interferem na digestão, absorção e metabolismo dos nutrientes, promovendo perdas de proteínas e reduzindo o apetite dos animais. Muitas vezes, estas perdas muitas vezes passam despercebidas pelos produtores.

Os bovinos adultos apresentam, normalmente, baixas cargas verminóticas, fruto das várias exposições às infecções que tiveram durante a vida. Isto estimula seu sistema imunológico a produzir defesas contra essas infecções e os efeitos negativos serem menos percebidos. Por isto, muitas vezes, esses animais não são submetidos a vermifugação periódica. No entanto, alguns momentos - como o periparto, por exemplo - marcam um período crítico para a imunidade geral das vacas e isso pode trazer prejuízos à produtividade dos animais.

“Estudos em vacas leiteiras têm demonstrado um aumento súbito e crescente das contagens de Ovos por Grama de Fezes (OPGF) iniciando-se em torno de seis a quatro semanas antes do parto e com pico máximo logo na 1ª semana após a parição. Na maioria das vezes, os resultados dessas contagens de OPGF nas vacas, retornam aos níveis anteriores do início do primeiro pico - registrado no pré-parto - em torno de quatro a seis semanas após o parto.  Esta constatação aponta, de forma clara, que o momento mais crítico para controle das principais verminoses gastrointestinais nas vacas ocorre próximo do parto”, explica Marcos Malacco - o médico veterinário e gerente técnico de pecuária da empresa Ceva Saúde Animal.

É sabido que a vaca leiteira passa por um momento crítico em termos energéticos, que é o periparto, englobando especialmente o período logo após o parto até em torno do alcance do pico da lactação. Como mencionado anteriormente, um dos impactos importantes das principais verminoses gastrointestinais é a redução do apetite. Então, a queda da imunidade no periparto coincide com um momento crítico em termos energéticos na vaca leiteira, agravando a situação. Isto tudo reduz o potencial de produção de leite e até mesmo o retorno a reprodução no pós-parto.

Para reduzir o impacto negativo das verminoses nas vacas leiterias é importante a realização da aplicação de um antiparasitário altamente efetivo, o mais próximo possível da parição e também no momento da secagem da lactação anterior.

“No caso das vacas leiteiras, um tratamento deve ser realizado no dia da secagem, principalmente se as vacas serão mantidas em piquetes durante o período seco entre lactações. Um outro momento de extrema importância é o mais próximo possível do parto, principalmente na primeira semana após o parto. O tratamento no dia da secagem visa auxiliar a recuperação geral das vacas leiteiras, proporcionando melhores condições para atravessarem o período seco entre lactações. O tratamento no periparto visa reduzir, ao máximo, os impactos negativos das verminoses sobre a produção de leite e no retorno a atividade cíclica ovariana normal, ou à reprodução. Uma outra época importante é logo após o alcance do pico da lactação, visando uma recuperação mais rápida do organismo das vacas, pois o mesmo foi bastante exigido para obtenção da máxima produtividade”, explica Malacco.

Além dos vermes gastrointestinais, o controle de parasitos externos - como carrapato, mosca do chifre e berne - também merece atenção em boa parte dos casos. Há ainda uma verminose determinada por larvas de verme redondo que parasita a pele dos animais, a Stephanofilaria spp. Esta verminose, que é denominada estefanofilariose - popularmente conhecida como úlcera do úbere, ou úlcera da lactação - também pode causar uma série de prejuízos para o rebanho. “Ela é caracterizada pelo surgimento de feridas ulceradas, geralmente nas partes baixas do abdômen, particularmente na região do úbere. As feridas coçam bastante e atraem moscas, o que leva a irritação e ao menor bem-estar nas vacas. Além disso, as lesões podem ser contaminadas por bactérias, incluindo aquelas que determinam as mastites”, detalha Malacco.

Para evitar os impactos desses parasitas a implementação de um programa de controle é imprescindível para assegurar o sucesso da produção e o bem-estar animal.

 

Fonte: Agrolink

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