Eficiência alimentar: a nova ferramenta para uma pecuária de leite sustentável

Eficiência alimentar: a nova ferramenta para uma pecuária de leite sustentável

16 de outubro, 2020

A STgenetics, empresa líder mundial em inovação no setor de genética bovina, lançou um índice para medir a eficiência alimentar dos animais. O EcoFeed pode, em última análise, prever a lucratividade de uma vaca leiteira durante todo seu tempo de permanência no rebanho. 

Como os custos de alimentação são muito significativos dentro de um sistema de produção, a criação de animais que produzem a mesma quantidade de leite (ou mais), com menos alimentos, pode gerar uma economia muito importante e se traduzir em aumento sustentável de rentabilidade para os produtores.

Sarah Westbury – gerente de serviços da STgenetics – afirma que o EcoFeed representa uma grande oportunidade de se reduzir os custos com alimentação, aumentando a eficiência de conversão alimentar dos animais. Para ela, selecionar vacas que produzam a mesma quantidade de leite com menor ingestão de alimentos “é uma solução necessária para a sustentabilidade econômica do setor.”

O índice traz uma abordagem integrada que abrange fatores ambientais, metabólicos e genéticos, os quais afetam a rentabilidade dos rebanhos leiteiros de forma significativa. “Sabemos que a eficiência alimentar tem um impacto direto na pegada de carbono do gado de leite, porque animais mais eficientes produzem menos metano, dejetos e CO2 por unidade de produção”, comenta Sarah.

Segundo Jocelyn Johnson, pesquisadora da STgenetics, nos últimos 60 anos a produção de leite por vaca nos EUA mais do que triplicou, de cerca de 7.000 libras em 1962 para mais de 23.000 libras em 2019. “Se olharmos para o aumento no consumo de alimentos por animal durante esse período, descobriremos que – embora os animais estejam produzindo três vezes mais leite – eles não estão consumindo três vezes a quantidade de alimentos”, explica ela.

De acordo com a pesquisadora, vários fatores “não genéticos” influenciaram isso, mas o principal fator que contribuiu para uma melhor eficiência de conversão alimentar foi o aumento da seleção para produtividade. Essa pressão de seleção teve efeitos favoráveis na conversão alimentar como resultado do que se denomina “diluição da manutenção”.

Se um animal consome alimentos em seu nível de manutenção, 100% da ingestão vai atender suas necessidades de manutenção. “Assim, os animais consomem comida suficiente para manter sua vida, mas não o suficiente para crescer ou produzir qualquer produto. Se quisermos que um animal produza um produto, esse animal deve consumir em um nível acima de sua manutenção”, destaca Jocelyn.

À medida que o consumo de alimentos aumenta acima da manutenção, uma proporção maior da alimentação é utilizada para produção em relação ao atendimento dos requisitos de manutenção dos animais. Assim, quanto mais alimentos os animais consomem acima da manutenção, mais eficientemente eles podem converter a alimentação em um produto.

No entanto, em cerca de quatro vezes a manutenção, se atinge um limite em que os efeitos benéficos da diluição da manutenção não são mais observados. A pesquisadora comenta que existem vários mecanismos – relacionados ao metabolismo celular, padrões individuais de comportamento e diferenças na composição corporal – que impactam as necessidades de energia de manutenção de um animal individualmente.

Desta forma, em vez de trabalhar para melhorar a eficiência geral do grupo de animais, pode-se utilizar uma medida de eficiência de conversão alimentar que é representativa das necessidades de manutenção de um animal individual, visando reduzi-las diretamente. Um exemplo de tal medida é a Ingestão Residual de Alimentos* (RFI em inglês). "RFI é uma medida de eficiência de conversão alimentar que quantifica a variação no consumo de alimentação além da necessidade de suporte aos requisitos de manutenção e desempenho”, explica ela.

Conforme Jocelyn, “a Ingestão Residual de Alimentos é calculada como a diferença entre o consumo de alimentos real e esperado. Animais que consomem mais do que o esperado, com base no tamanho corporal e desempenho, são considerados ineficientes ou indesejáveis. Já, os animais que consomem menos do que o esperado são considerados eficientes."

A classificação dos animais no EcoFeed é feita em uma escala de base 100. Cada cinco pontos acima de 100 equivalem a 1 libra a menos de alimentação consumida por vaca, por dia. Sarah explica que, “se uma fêmea tiver uma pontuação de 110, isso significa que se espera que ela consuma 2 libras a menos por dia do que suas companheiras de rebanho. E se quisermos entender como ela vai transmitir isso para sua progênie, podemos dividir esse número por dois.” Para ela, é importante os produtores tomarem decisões de melhoramento genético adicionando o Índice EcoFeed aos critérios de seleção que já estão sendo usados na fazenda. 

Animais eficientes usam menos recursos naturais e convertem os alimentos de forma mais eficiente, gerando menos resíduos, dejetos, metano e CO2 por unidade de produção, o que por sua vez ajuda a tornar a produção leiteira uma indústria sustentável e ecologicamente correta.

 

*Ingestão Residual de Alimentos - foi usada uma tradução livre do termo em inglês: Residual Feed Intake

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