EMBRAPA: Proposta de controle de carrapatos para bovinos em pastejo

EMBRAPA: Proposta de controle de carrapatos para bovinos em pastejo

12 de fevereiro, 2021

Uma equipe de pesquisadores da Embrapa, lideradas pelo médico veterinário Renato Andreotti, formulou uma proposta para controle do carrapato em bovinos. Esta proposta foi direcionada para animais de corte, mas pode ser ampliada para utilização em animais de leite.

Nas últimas décadas, o Brasil teve uma melhora na eficiência dos sistemas de produção de bovinos, com o desenvolvimento de novas técnicas de manejo e introdução de pastagens cultivadas, bem como com o uso de novas raças e seus cruzamentos, gerando animais de maior desempenho produtivo. Por outro lado, a necessidade de se aumentar a capacidade de carga animal por área de pastejo e as condições de clima tropical, em algumas regiões, favorecem o aumento da população do carrapato, acarretando um desequilíbrio no seu controle.

O carrapato detém grande importância na pecuária mundial devido ao impacto causado na produção de carne e leite. O parasita provoca reações inflamatórias na pele, causando irritabilidade, lesões e anorexia. Em consequência, os bovinos não pastam normalmente, o que diminui a taxa diária de conversão alimentar. Além disto, os carrapatos contribuem para instalação de miíases e causam a Tristeza Parasitária Bovina (TPB), que podem levar os animais a morte.

Apesar de o carrapato gerar prejuízos de 3,24 bilhões de dólares ao ano no Brasil, o seu controle continua sendo realizado por meio de produtos químicos e, em geral, com pouca orientação técnica adequada. Isto pode contaminar a carne e o leite - e até o próprio ambiente - com produtos químicos. Outra grave consequência disto é a seleção de populações de carrapatos resistentes.

No Brasil, existem registros de resistência dos carrapatos a diversas bases químicas, sendo mais evidente o problema no estado do Rio Grande do Sul. O uso sistemático de acaricidas tem sido uma preocupação, por parte dos pesquisadores no assunto, e dos produtores que enfrentam tal problema. Portanto atender à demanda do controle do carrapato sem o uso desses produtos tem sido um desafio na cadeia produtiva de bovinos.

Proposta de manejo intensivo da pastagem com controle de carrapato

A proposta da Embrapa foi elaborada para orientar os produtores na implantação de um sistema produtivo que alia intensificação da produção à base de pasto com a minimização da infestação por carrapatos no rebanho. Pela proposição, o produtor pode – em uma mesma área e com lotação adequada – produzir pastagem e manejar os animais de forma que os bovinos tenham menor contato possível com os carra­patos, evitando os prejuízos causados pelos mesmos.

Resumo da proposta:

  • Área de 100 hectares de capim-marandu em plena produção, projetada para 9 toneladas de matéria seca por hectare no período das águas e 2,5 t MS/ha no período seco, tota­lizando 11,5 t MS/ha/ano;
  • Pastagem dividida em quatro piquetes (25 ha cada), trabalhados sequen­cialmente, com cerca periférica convencional (5 fios de arame liso) e cercas internas eletrificadas;
  • 100 cabeças de bovinos em recria, colocadas na área em março, com peso médio inicial de 217 kg (no desmame aos 8 meses);
  • Ciclo com duração de um ano, quando os animais alcançam peso médio de até 407 kg, sendo o ganho de peso médio estimado de 0,51 kg/dia (190 kg de ganho total no período);
  • Manejo do pastejo com a rotação dos animais pelos piquetes (período de 30 dias em cada piquete). Este procedimento é imposto pelo sistema, pois visa estabelecer um prazo de 90 dias para o retorno ao primeiro piquete, para uma “limpeza da pastagem” em relação à população de larvas infestantes, permitindo que essa prática seja utilizada como medida complementar para o controle do carrapato;
  • O excedente de forragem, quando verificado, sendo armazenado como feno para posterior fornecimento aos animais como volumoso na época de escassez.

Aspectos da avaliação econômica desta proposta

Apesar de que os prejuízos causados pelos carrapatos serem obtidos por estimativas, e que estas podem variar em cada sistema de produção e em função do clima de um determinado ano, a proposta da Embrapa utilizou a estimativa de uma carga parasitária média de 120 carrapatos por animal/dia.

Em situações sem o controle de carrapatos, aumenta a possibilidade de acontecer surtos de TPB e miíases (de difícil avaliação econô­mica), mas os carrapatos podem acarretar até a morte de animais.

A estimativa de perdas econômicas pelo parasitismo poderia chegar a R$ 13.728,00 (treze mil setecentos e vinte e oito reais). Porém, o ganho esperado deve ir além de produzir animais com bom peso no final da recria e sua respectiva receita inclui a possibilida­de de obter uma reserva de suplementação alimentar estratégica e/ou um ganho na sua comercialização.

Além disso, deve ser contabilizada nos ganhos a redução nos custos do controle químico do carrapato e perdas com relação às miíases e mortes por TPB, que não foram calcu­ladas pela dificuldade de quantificação.

Assim, os benefícios previstos com a adoção da proposta resultariam, sobretudo, da eliminação da perda decorrente da infestação do carra­pato, aliada à intensificação do manejo e uso da pastagem para recria de bovinos. 

O modelo proposto vem ao encontro da demanda do mercado mun­dial que está cada dia mais exigente com a segurança alimentar endossada por certificados de origem e produção em sistemas com menor comprometimento ambiental. Assim, investimentos e inova­ções são necessários, melhorando a capacitação e a formação de mão-de-obra especializada, assim como em instalações e tecnologias de maior precisão e, consequentemente, na geração de produtos de melhor qualidade que atendam às necessidades e ou exigências desse mercado.

 

Veja a íntegra da proposta aqui: 

 

Fonte: Embrapa 

Foto: Divulgação/Rural Pecuária

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