Confinamentos para gado de leite: conheça os tipos e vantagens

Confinamentos para gado de leite: conheça os tipos e vantagens

18 de julho, 2021

O confinamento é um sistema de produção no qual os animais permanecem em um espaço restrito, sendo alimentados com uma dieta balanceada. Para tanto, a propriedade precisa contar com uma infraestrutura de barracão e uma área de lavoura para a produção da alimentação volumosa do rebanho. 

Trabalhar com gado de leite confinado no Brasil não é propriamente uma novidade. Desde os anos de 1940, produtores já empregavam algum tipo de confinamento para os animais ao longo da produção. Mas, a partir dos anos 2010, os confinamentos se espalharam para mais propriedades do país, ganhando espaço e ajudando na instensificação da produção nacional de leite.

De modo geral, os sistemas de confinamento garantem maior conforto aos animais e permitem um aumento da produção, sem prejuízos à saúde do rebanho. Porém, é preciso entender qual modelo se adequa melhor para cada propriedade, tendo em visto os recursos disponíveis e o volume de produção desejado.

TIPOS DE CONFINAMENTO E SUAS VANTAGENS

Em um sistema de confinamento, é possível usar as estruturas de diferentes formas para dividir os lotes e as áreas do rebanho. Cada sistema possui características bem definidas e proporciona um impacto diferente na produção. Veja abaixo os principais tipos de confinamento para o gado leiteiro, com suas características e principais vantagens.

Tie-Stall

No tie-stall, as vacas ficam contidas lado a lado dentro do barracão, presas por uma corrente no pescoço, recebendo alimentação exclusivamente no cocho. Todavia, para que os resultados desejados sejam obtidos, é preciso se planejar bem a estrutura; as dimensões precisam ser respeitadas para que a movimentação mínima dos animais seja mantida. 

Este sistema é utilizado para rebanho menores, de até 60 animais, com alta produtividade. O tie-stall é muito comum em regiões mais frias, pois a proximidade e o tipo de estrutura ajudam no conforto térmico das vacas.

Suas principais vantagens são:

  • Limpeza dos animais;
  • Manejo mais próximo do rebanho;
  • Mecanização facilitada;
  • Manejo prático em rebanhos menores.

Bastante usado no Canadá, onde – normalmente – os proprietários fazem todo o manejo das fazendas, o tie-stall é raro no Brasil. Um ponto negativo a ser destacado é o bem-estar dos animais, que normalmente ficam presos durante toda a lactação.

Loose Housing

Loose housing é um sistema de confinamento em que os animais circulam por todo o barracão ou curral. Neste modelo, há áreas coletivas de repouso, que os animais têm acesso livre e onde eles podem exercer seu comportamento natural. Isto não impede o acesso à área coberta que está sempre disponível para a proteção contra intempéries. 

Nas áreas de descanso coletivo, o chão pode ser de terra batida ou cimento coberto por uma cama. O material usado na cama pode ser esterco desidratado, palha de arroz, areia, entre outros. Além disto, existem galpões (que podem ser na mesma estrutura ou independentes) onde é realizada a alimentação dos animais e a ordenha. As principais vantagens deste sistema são:

  • Custo de construção menor;
  • Reconhecimento de animais no cio facilitado;
  • Animais mais livres.

No loose housing, apesar das estruturas terem baixo custo, elas têm difícil manutenção. Assim, é preciso dar atenção à limpeza, para evitar o acúmulo de fezes e infestação de moscas no espaço. 

Free-Stall

No free-stall, o gado fica solto no barracão, onde existem divisões com camas individuais e espaços de alimentação e exercícios. As camas – que normalmente são cobertas com serragem, colchões ou areia – se destinam ao descanso dos animais e devem ter um tamanho confortável para que o úbere e as pernas estejam dentro do espaço.

De modo geral, um barracão de free-stall é constituído de 4 áreas independentes: repouso, alimentação, ordenha e exercício. A área de exercícios deve ter um chão cimentado para facilitar a limpeza a manutenção do espaço. É muito importante que se ofereça, pelo menos, 10 metros quadrados por animal.

Além de permitir que as vacas fiquem livres quando não estão sendo ordenhadas, o free-stall oferece outras vantagens para o gado, tais como:

  • Economia no custo operacional;
  • Fácil mecanização;
  • Espaço para exercício dos animais;
  • Menor necessidade de área para repouso em comparação ao espaço de repouso coletivo;
  • Mais flexibilidade para manejo dos animais.

Por outro lado, a estrutura necessária para se implantar o sistema tem um custo alto de construção e requer uma boa manutenção, para se manter a qualidade do ambiente e a sanidade dos animais.

Compost Barn

compost barn é um sistema alternativo ao loose housing, que visa aumentar a produtividade do rebanho por melhorar o bem-estar geral dos animais. Neste sistema, exceto a pista de alimentação, o chão do barracão é todo coberto pela cama, a qual se constitui de um material (como serragem) que fica sendo compostado junto com os dejetos. 

Para que o sucesso na produção seja de fato atingido, as instalações oferecidas devem ser bem projetadas e muito bem manejadas. Assim, uma das maiores preocupações no sistema de compost barn é se evitar a umidade na cama, que precisa ser mexida com frequência e secada por ventiladores. O manejo correto deste material proporciona uma superfície macia e seca para os animais.

Apesar do manejo da cama não ser simples, este sistema apresenta vantagens como a compostagem natural das fezes e urina que acabam se tornando um fertilizante orgânico de ótima qualidade. Outras vantagens desse modelo são:

  • Maior liberdade dos animais;
  • Menor índice de problemas com os cascos;
  • Melhor detecção de cio;
  • Menos odor devido à compostagem natural dos dejetos;
  • Menor incidência de moscas.

Conclusão

Antes de escolher qual sistema adotar, o produtor precisa ter em mente as condições da propriedade, tanto físicas quanto financeiras. Isto permite que a decisão seja tomada com base em custos de construção, manejo e logística. Além disto, deve-se levar em conta, também, as áreas disponíveis para construção, número de estruturas e maquinário necessário para cada sistema, bem como o manejo nutricional exigido em cada modelo.

Tudo isso requer que o pecuarista conheça muito bem sua propriedade, seu rebanho e o ambiente econômico que o cerca, de modo que a atividade leiteira seja lucrativa. Assim, para que o confinamento seja adotado para o gado de leite, são necessários conhecimento e experiência!

 

Fontes: Pubvet e Tecnologia no Campo

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