Marca Agro Brasil

Marca Agro Brasil

30 de junho, 2024

Escrito po Paulo do Carmo Martins*

 

No Brasil, a cada dez brasileiros, sete veem o agro de maneira positiva. Também, sete em cada dez associam o agro com a geração de riqueza e dois em cada três brasileiros o associam à credibilidade. Isso é exuberante!

Todavia, há um conjunto expressivo de pessoas que concebem o agro com uma visão negativa. E, quem vê deméritos no setor, em maior proporção, são os que têm até 29 anos. Portanto, os jovens! Mas, não só. Dois em cada cinco do grupo de adultos (30 a 59 anos), consideram o agro um dos principais setores responsáveis por impactos ambientais.

Estes dados foram obtidos num estudo profundo, feito por um time de primeira grandeza, um esforço conjunto de acadêmicos e profissionais do mercado. Foram entrevistados quase cinco mil pessoas em todo o Brasil. Nesta pesquisa, com amostragem bem delineada, foi possível captar a alma do que pensa o brasileiro sobre o setor mais dinâmico da nossa economia. E a luz laranja foi acesa!

Afinal, são os jovens que definem o padrão de consumo. E, quando os jovens chegam à fase adulta, passam a decidir os rumos da sociedade em termos também de produção, pois passam a assumir cargos de decisão. E o que leva o jovem a ser crítico ao agro?

Estou na faixa dos sessenta e minha geração é a dos pais desses jovens. O imaginário coletivo da minha geração ficou marcado pela ideia do agro atrasado, pobre, sem dinamismo. Muitos de nós, passamos essa imagem aos filhos. O recado foi: o campo não retém pessoas interessantes. Sou de uma região do Brasil que simboliza tudo isso e apostou na indústria, em detrimento do campo. 

Desde 1500, o Brasil se fez a uma distância de apenas 500 km do litoral, de norte a sul. A urbanização ocorrida a partir de JK não mudou este quadro. Ao contrário, acentuou a concentração populacional no litoral.

Ocorre que, há quatro décadas, o Cerrado começou a surgir como um novo vetor de reorganização espacial. Agora, a produção do Agro não se dá no leste urbano-industrial, mas no centro, indo para o oeste. Há uma distância espacial imensa entre onde se faz o Agro e onde se consome o Agro. Dois mundos, duas culturas distintas.

Portanto, para o bem da nossa sociedade, é preciso agir! É preciso educar os litorâneos, responsáveis por elegerem os nossos governantes. Precisamos ter como meta educar aqueles com as características dos jovens de Floripa, a persona que mais abomina o Agro, por desconhecimento. Mas, como agir?

A Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro – ABMRA foi quem fez a pesquisa com os dados que apresento e decidiu reagir aos resultados encontrados. A ABMRA lançou, no final do mês abril, uma iniciativa bem estruturada, visando falar com o público urbano, jovem ou não, sobre o que é o Agro.

A ABMRA é uma entidade sem fins lucrativos, criada há 45 anos, que reúne profissionais renomados e respeitados, todos ligados a órgãos de comunicação, agências de publicidade ou de empresas do Agro, além de profissionais de universidades e órgãos de pesquisa. É, portanto, a inteligência do marketing e da comunicação do setor. Todos são voluntários!

Pois, o que a ABMRA está se propondo é passar uma borracha (que expressão antiga!) no discurso que diz que...“o Agro só fala para quem é do Agro”. Isso é vital para a economia brasileira. Afinal, a insulina e o antibiótico importados, quem paga são os dólares captados pelo Agro. Os royalties do tênis de marca e a remessa de dólar do Spotify e Netflix, também! Mas, o jovem não sabe!

Está prevista uma campanha publicitária robusta, visando atingir o público urbano, não somente os jovens, mas da criança até os adultos. O propósito é criar uma paixão nacional por este setor, que começa antes da fazenda e chega até nossas casas, por meio do supermercado, da farmácia, da loja de confecção, de móveis e do posto de combustíveis.

Para que a campanha “Marca Agro do Brasil” seja bem sucedida, todos precisamos apoiar, doando recursos. Que tal um centavo por litro de leite produzido?

 

*Paulo do Carmo Martins - Economista, mestre e doutor em economia aplicada. Pesquisador da Embrapa, professor da FACC/UFJF. É Conselheiro da ABMRA

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