Como o mercado internacional do leite em pó afeta os preços no Brasil

Como o mercado internacional do leite em pó afeta os preços no Brasil

03 de julho, 2022

Conforme explicado no artigo anterior, o leite em pó tem uma grande importância no mercado nacional de lácteos. Mas, devido a sua maior disponibilidade logística, o produto é também bastante relevante no mercado internacional. Os principais exportadores são: Estados Unidos, União Européia, Nova Zelândia, Argentina e Uruguai; já os importadores são: o Brasil, China, Tigres Asiáticos e países produtores de petróleo, como a Argélia.

Em 2021, o Brasil importou 51.842 toneladas de leite em pó integral e 23.946 toneladas de leite em pó desnatado; ou seja, ao todo 75.788 toneladas de leite em pó foram compradas de outros países, com destaque para Argentina e Uruguai (Mercosul). No mesmo ano, o Brasil exportou um total de 3.926 toneladas de leite em pó. 

Como se pode notar, a dinâmica da balança comercial brasileira demonstra que o país é predominantemente importador desse derivado lácteo e, consequentemente, os valores dos produtos importados são relevantes para a formação do preço em nosso país. O Brasil, aliás, é um importador de lácteos em geral e o leite estrangeiro representa uma parte considerável de sua oferta. Dessa maneira, a dinâmica das importações reflete na formação dos preços praticados no mercado interno do país.

Uma das principais plataformas de negociação de produtos lácteos no mercado internacional (leite em pó, queijo, manteiga e outros) é a Global Dairy Trade (GDT). A ferramenta começou a operar em julho de 2008 e já se tornou o principal indicador para cotações de lácteos no mercado internacional. Os chamados "leilões GDT" ocorrem 2 vezes por mês, sempre no início de cada quinzena. Eles são uma iniciativa da Fonterra e, portanto, a base das negociações é o mercado da Oceania (Austrália e Nova Zelândia).

Com os preços praticados nos leilões GDT associados à taxa de câmbio (dólar), chega-se a um preço equivalente de leite importado pago no Brasil: ou seja, um preço de referência para os produtos importados convertido para o mercado nacional. Se esses preços estiverem acima dos praticados no mercado nacional, as importações são desestimuladas; e vice-versa.

A ampliação das importações e/ou diminuição das exportações, aumentam a oferta de leite no mercado interno, o que tende a diminuir os preços pagos aos produtores nacionais. A diminuição das importações e/ou aumento das exportações, por sua vez, diminuem a quantidade de leite disponível no país, o que tende a levar a maiores valores nas negociações pelo produto.

Momento atual

O primeiro semestre de 2022 foi intenso no mercado internacional de lácteos. Os preços do leite em pó integral, por exemplo, chegaram a quase US$ 5.000 por tonelada em meados de março. Este movimento estava ancorado à demanda chinesa e a partir de abril com a redução da demanda de importação pelos asiáticos, os preços internacionais começaram a cair; chegando a cerca de US$ 4.200 por tonelada neste momento.

Então, observou-se um início de ano pouco atrativo para a importação de produtos lácteos, com a abertura inclusive de uma janela para exportação do leite brasileiro. Entretanto, com a queda nos valores no mercado internacional e com a elevação nos preços internos do Brasil, este incentivo mudou; ou seja, atualmente estamos vendo maior procura pelo produto importado.

Por enquanto, as importações só não têm sido maiores em razão da baixa disponibilidade de nossos vizinhos do Mercosul. Porém, estaa disponibilidade deve aumentar a partir de agosto, ampliando espaço para vendas ao Brasil.

 

Fonte: Milk Point

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