Os dados das fazendas de leite podem ter um grande valor

Os dados das fazendas de leite podem ter um grande valor

14 de outubro, 2021

Os produtores de leite estão cada vez mais conscientes do valor dos dados de suas fazendas. Porém, parece que estes dados têm potencial tanto para informar os pecuaristas, como para sobrecarregá-los com mais informações do que eles podem compreender.

Nos Estados Unidos, por exemplo, os produtores de leite tem uma série de plataformas para escolher, incluindo:

Dairy Comp – é o primeiro e o maior software de gerenciamento de rebanho leiteiro no mercado. Foi pioneiro em oferecer aos produtores a capacidade de coletar e gerenciar dados sobre o leite e a saúde das vacas em nível individual. As estimativas são de que mais de 60% do rebanho americano está usando o Dairy Comp, o que por sua vez tem impulsionado o desejo por novas tecnologias, como: colares de monitoramento, robôs de ordenha e câmeras inteligentes para encontrar maneiras de integrar os dados neste software.

Amelicor – pelas estimativas, é o segundo maior software de gerenciamento de rebanho no mercado dos EUA (em número de vacas). Ele têm quatro produtos: gerenciamento de rebanho (DHI-Plus), gerenciamento de rações (EZFeed), rastreamento de commodities e gerenciamento de dados.

BoviSync – é uma plataforma premiada e seu crescimento é impulsionado pelo uso de um software exclusivo baseado em nuvem e inovações, como sua capacidade de agregar e analisar dados de vacas por grupos ou lotes.

Vyla – é uma nova plataforma apoiada por grandes players da indústria do leite, como Nestlé, Land O’Lakes e Lely, entre outros. Oferecer algo como um "Facebook para fazendeiros" facilita a integração de informações de qualquer sistema em um único aplicativo, incluindo: gerenciamento de rações, software de sala de ordenha e combinação de preços do leite e clima.

Mydairydashboard.com – de propriedade da “Dairy.com”, tem um conceito semelhante ao anterior, reunindo dados das fazendas, do mercado e do clima na mesma plataforma.

MILC Group – tem continuado a adicionar mais e mais fluxos de dados em uma plataforma única, para gerenciar a alimentação e alertas de sensor para instalações de ordenha.

Se as fazendas não capitalizarem na disponibilidade crescente de informações, provenientes de sensores e outras tecnologias inovadoras no setor, as plataformas de dados podem se tornar um gargalo, frustrando a promessa de lucratividade da pecuária de precisão. Os produtores de leite, especialmente os maiores, reconhecem que a produção baseada em dados pode fornecer vários benefícios – como otimização de estoque, formulação precisa de dietas e redução no custos de alimentação – permitindo uma melhor produção de leite por meio de nutrição de precisão, respondendo melhor às demandas dos consumidores.

Em suma, o que a cadeia do leite precisa é que todas os elos funcionem simbioticamente, por meio do compartilhamento de dados ou interoperabilidade (como é conhecida no mundo da tecnologia). A interoperabilidade de dados permite que diferentes sistemas comuniquem seus dados entre si em uma interface compartilhada. Ela possibilita que os sistemas não apenas criem, troquem e consumam dados, mas criem expectativas compartilhadas e compreensão dos dados apresentados.

Na área da saúde, por exemplo, os registros médicos sendo compartilhados por médicos, laboratórios e seguradoras (em uma rede) geram benefícios e conveniência aos pacientes, que não precisam fornecer resultados de laboratório nem recontar seu histórico ao visitar um novo médico dentro da rede.

De uma forma mais geral, a interoperabilidade de dados impede que uma empresa monopolize os dados, incentiva os participantes envolvidos a melhorar seus produtos – devido à natureza competitiva da plataforma compartilhada e resulta em um melhor resultado para o usuário final. Para a cadeia de abastecimento alimentar, isso significa que os dados (desde a matéria-prima até o desempenho animal) serão rastreados e comunicados ao longo de todo o processo, tornando a cadeia de abastecimento integrada, não segregada.

Em última análise, a interoperabilidade de dados e a transformação digital beneficiam os consumidores finais. Eles estão exigindo transparência e controle sobre seus alimentos e os ingredientes envolvidos em sua preparação. Eles estão se tornando mais conscientes sobre suas dietas e objetivos pessoais éticos e de sustentabilidade, então os produtores precisam encontrar maneiras de responder a essas preferências e entregar produtos melhores, permanecendo um elemento integrante da cadeia de abastecimento alimentar.

Perguntas sobre o futuro dos dados

Quem os possui? Empresas líderes em alimentos, como Nestlé, Danone, Dairy Farmers of America, Parmalat, podem potencialmente investir ou assumir participações em empresas líderes de dados. Mas, quanto tempo antes que Amazon, Google, Apple, IBM ou Microsoft decidam que querem tomar parte nisto?

Como os produtores se beneficiam disso? Os consumidores aceitam compartilhar seus e-mails, sua localização e dados de viagens com empresas de big data em troca de serviços gratuitos e valiosos. Como os produtores de leite podem ganhar com sua disposição em compartilhar dados?

Em suma, a escolha da plataforma de dados é dos produtores, mas podemos não saber seu valor real até permitir que outros na cadeia de abastecimento "explorem" este "petróleo".

 

Fonte: Adaptado do texto escrito por Aidan Connolly, publicado no portal Dairy Herd Managemente em 13/10/21

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