Principais problemas que diminuem a eficiência reprodutiva das vacas leiteiras

Principais problemas que diminuem a eficiência reprodutiva das vacas leiteiras

12 de setembro, 2021

Dentre os setores de uma fazenda leiteira, a reprodução talvez seja o de maior impacto no sistema de produção como um todo, a curto, médio ou longo prazo. No entanto, isso não significa que a reprodução caminhe sozinha. Ela é altamente dependente dos outros setores e áreas, tais como: nutrição, sanidade, recria, genética, produção de comida, mão de obra, dentre outros.

Há aqueles que dizem que os problemas relacionados à reprodução são infinitos e, de fato, não está errado quem pensa assim. Pois, tudo o que envolve a rotina de uma fazenda de leite pode interferir na reprodução dos animais: Falta de comida, deficiência nutricional, volumoso de baixa qualidade, estresse térmico, doença, carrapato, ausência de rotina, etc. Até mesmo se o responsável pelo manejo dormir mal ou não estiver bem, isto afeta a reprodução das vacas!

Não obstante, se trabalharmos com um volume interminável de problemas, a chance de conseguirmos alinhar bem a reprodução do rebanho é mínima ou praticamente nula. Devido a isso, para que haja sucesso reprodutivo, torna-se importante centralizarmos as energias e o foco das ações em poucos problemas, desde que eles sejam representativos e abranjam todos os aspectos da reprodução.

De modo geral, três são as possibilidades de problemas reprodutivos em vacas leiteiras:

– Taxa de serviço: as vacas não estão sendo servidas (inseminadas, cobertas etc.).

– Taxa de concepção: as vacas não estão ficando gestantes.

– Perda de prenhez: as vacas não estão mantendo a gestação.

Problema 1 – Taxa de serviço

A taxa de serviço consiste em um indicador amplamente utilizado para acompanhar e monitorar a reprodução das fazendas leiteiras. Dos pontos que interferem em seu sucesso, os principais são as condições anovulatórias (anestro), a insuficiência na detecção de cio e a ausência de rotina e de programas reprodutivos na fazenda.

A retomada da ciclicidade ovariana após o parto ocorre de forma gradual, estando bastante relacionada com o status metabólico do animal. Vacas que passam por um período de transição desafiador (3 semanas antes do parto até 3 semanas após o parto), por exemplo, geralmente apresentam maior queda no consumo alimentar e – como consequência – necessitam mobilizar maior quantidade de reserva corporal para tentar atender as exigências nutricionais do organismo, desenvolvendo um balanço energético negativo mais acentuado. Estes eventos contribuem para que parte da energia, que seria utilizada para reprodução, seja direcionada e priorizada para a mantença do animal e para produção de leite, reduzindo a atividade dos ovários e a expressão de cio. Portanto, é essencial ajustar os manejos e reduzir os desafios no período de transição, para uma boa reprodução das vacas no pós-parto.

Além da ciclicidade ovariana, a grande maioria das propriedades não detectam os episódios de cio com eficiência. Este fato pode estar relacionado ao nível de produção de leite dos animais, pois vacas de alta produção normalmente expressam cios de menor duração e intensidade e – além disso  boa parte das atividades de estro ocorrem no período noturno, momento em que geralmente não há colaboradores na fazenda.

Todavia, grande parte das falhas na detecção de cio acontecem devido à ausência de rotinas e programas reprodutivos. É comum encotrarmos fazendas que praticam a observação de cio somente nos instantes em que as vacas são guiadas dos lotes para a ordenha e acreditam que isto consiste em uma rotina reprodutiva. Ledo engano. As rotinas reprodutivas devem ser elaboradas e seguidas de forma sistemática e fiel.

Devem ser definidos dias específicos para que os manejos pré-determinados aconteçam, por exemplo, o dia para início e continuação dos protocolos de inseminação, observação de cio todos os dias com auxílio de ferramentas (bastão de cera, raspadinha etc.), dentre outros. Estabelecer rotinas reprodutivas é sinônimo de organização e padronização do serviço, fornecendo melhores condições para a otimização da reprodução e visualização do cenário real do rebanho.

Problema 2 – Taxa de concepção

Os fatores que influenciam na taxa de concepção são mais complexos, pois – conforme mencionado – tudo na fazenda pode impactar a fertilidade das vacas. Como alguns dos principais fatores que influenciam bastante na taxa de concepção, podemos mencionar: doenças, condição anovulatória, nutrição, estresse térmico e técnica de inseminação.

Doenças, condição anovulatória e nutrição estão intimamente relacionados. Vacas que possuem consumo de matéria seca abaixo da necessidade nutricional e que consomem dieta desbalanceada são mais propensas a desenvolverem doenças, tanto metabólicas quanto infecciosas. Vacas mal nutridas e doentes reduzem consideravelmente a condição ovariana e a fertilidade e – consequentemente – possuem menor taxa de concepção. Portanto, alimentar corretamente as vacas e prevenir a ocorrência de doenças contribui tanto para a taxa de serviço quanto para a taxa de concepção.

Por outro lado, muitos estudos comprovam que animais submetidos ao estresse térmico possuem pior desempenho reprodutivo, quando comparados àqueles criados em situações de conforto térmico. A elevação da temperatura corporal das vacas exige a ativação de processos fisiológicos de termorregulação, que alteram as rotas de equilíbrio do organismo, prejudicando a concepção. Água, sombra, vento e tempo são os quatro pilares essenciais para a execução de um sistema adequado de resfriamento térmico dos animais.

Além disso, logicamente, quando a técnica de inseminação artificial não é seguida corretamente, a reprodução é afetada. Armazenamento e manejo do sêmen, temperatura de descongelamento, montagem dos equipamentos, higiene do processo e deposição correta do sêmen são alguns dos pontos que influenciam diretamente no resultado positivo da técnica. Realizar auditorias periódicas pode ser uma boa estratégia para cercar surpresas negativas com este fator.

Problema 3 – Perda de prenhez

O sucesso reprodutivo de um rebanho não consiste apenas em servir adequadamente as vacas de modo que elas obtenham boa concepção. É necessário que as gestações sejam mantidas, para efetivamente gerarem um parto. Logo, as perdas de prenhez devem ser baixas.

De forma geral, a perda de prenhez está estreitamente relacionada com a taxa de concepção, sendo que grande parte dos problemas com concepção baixa envolvem uma perda de prenhez alta. Ou seja, é muito comum que fazendas com baixa taxa de concepção possuam alta taxa de perda de prenhez antes do primeiro diagnóstico de gestação.

Logo, os fatores que influenciam na taxa de concepção e na perda de prenhez se assemelham bastante. Em vista disso, além dos fatores já citados no tópico sobre taxa de concepção, a técnica pela qual a vaca está emprenhando também possui relação com a perda gestacional (fertilização in vitro, transferência de embrião, inseminação artificial, etc.). Como exemplo, animais que emprenham por FIV geralmente possuem uma perda de prenhez superior aos animais que emprenham por IA.

Considerações Finais

Conforme discutido ao longo do texto, são inúmeros os problemas que influenciam na reprodução dos rebanhos leiteiros. Entretanto, estes problemas podem ser resumidos em basicamente três: taxa de serviço, taxa de concepção e perda de prenhez. Realizar o diagnóstico situacional da reprodução do rebanho e identificar em qual destes pontos se encontra o problema reprodutivo da fazenda é essencial. Ter foco no direcionamento das ações de melhoria possibilita que a otimização da reprodução seja certeira e mais efetiva.

 

Fonte: Rehagro

 

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