Reprodução: quanto mais você sabe, mais você pode controlar

Reprodução: quanto mais você sabe, mais você pode controlar

19 de fevereiro, 2021

Há algo interessante em tempos mais simples. No entanto, quando se trata de produção rural, o conhecimento e a eficiência adquiridos dificilmente podem ser ignorados. Isto certamente é verdade quando se trata da reprodução do rebanho.

“Gosto de pensar no manejo reprodutivo como uma pirâmide de tecnologias empilhadas”, diz Paul Fricke, professor de ciência leiteira e especialista em reprodução de gado leiteiro na Universidade de Wisconsin-Madison (EUA). “A boa reprodução é a fundação ou base da pirâmide e tudo o mais se apóia nesta base. Vinte anos atrás, o desempenho reprodutivo não era muito bom e, quando a reprodução não é boa, você precisa criar todas as novilhas que produz para manter a reposição do rebanho.

“Uma vez que os produtores conseguem uma boa reprodução, eles podem passar a incorporar outras tecnologias”, acrescenta Fricke. “A boa reprodução nos permite incorporar tecnologias de reprodução, como genômica, sêmen sexado, sêmen de corte e embriões de FIV [fertilização in vitro]”.

Genômica

A genômica permite que um produtor identifique animais geneticamente superiores em uma idade precoce. Isto, por sua vez, pode acelerar o ganho genético de um rebanho, ao mesmo tempo que também encurta o intervalo de gerações.

“Usar a genômica pode ser útil porque permite que os produtores identifiquem seus melhores animais jovens desde logo”, diz Andrew Sandeen, professor de extensão em gado de leite da Pennsylvania State University. “Isto permite que os produtores invistam na genética desses animais de primeira linha, enquanto encontram outras maneiras de usar os animais genômicos menos desejáveis. Você pode genotipar bezerros logo após o nascimento, obter os resultados e decidir quais animais manter para reposição”.

Sêmen de corte e sêmen sexado

Outra ferramenta na caixa de ferramentas reprodutivas é o uso de sêmen de corte e sêmen sexado, em novilhas e animais em lactação.

“A razão pela qual podemos usar sêmen sexado em animais em lactação é porque, voltando à base da pirâmide, temos um bom programa de fertilidade em vigor agora”, diz Fricke. No entanto, as fazendas têm um certo impacto sobre as taxas de concepção ao usar sêmen sexado, acrescenta.

Se a taxa de concepção de suas vacas em lactação é de 35%, em média, então você não pode usar sêmen sexado devido à baixa fertilidade. É por isso que, no início, o sêmen sexado era recomendado somente para novilhas”, alerta Fricke. “Mas se a taxa de concepção de suas vacas em lactação está entre 50% e 60%, então você pode se perguntar: 'Dos animais do meu rebanho, geneticamente, quais são os melhores animais que eu quero inseminar com sêmen sexado para fazer minha reposição?'”

Estatísticas da indústria mostram que o sêmen sexado tem uma pureza de 90%, o que significa que o sexo do bezerro será feminino em 9 de cada 10 vezes. No entanto, se muitas bezerras começarem a nascer, a rebanho pode se expandir muito rapidamente, fazendo com que os produtores aumentem o abate. Uma forma de evitar esta super-expansão é usar sêmen de corte [nos animais de menor valor genético]. No entanto, é preciso ter algumas coisas em mente antes de tomar a decisão de incorporar genética de corte ao rebanho.

“Mesmo que você possa obter sêmen corte barato, definitivamente estamos começando a perceber que apenas fazer uma seleção com base no preço provavelmente não é a abordagem mais sábia a longo prazo”, adverte Sandeen. “Você provavelmente vai acabar com alguns animais com os quais a indústria da carne não está muito animada, então, ser mais cuidadoso sobre quais touros você está usando e as características que a indústria da carne deseja será melhor no longo prazo”.

Fertilização in vitro (FIV)

Para os produtores de leite que desejam expandir seu conjunto de ferramentas reprodutivas, Fricke aconselha olhar para a FIV de embriões de corte.

“Embriões comerciais de fertilização in vitro podem ser comprados para serem transferidos em receptoras de leite”, observa Fricke. “O custo dos embriões de corte de FIV caiu para cerca de US$ 55. Você pode usar estes embriões nos seus animais de menor valor genético e produzir um bezerro de corte puro, para recriar ou vender”.

Embora bezerros cruzados [corte/leite] sejam mais valiosos para o mercado do que novilhos puros de raças leiteiras, eles ainda não se comparam ao valor dos animais puros de corte. Portanto, o uso de embriões de FIV dá aos produtores o potencial de obter um melhor retorno sobre o investimento do que apenas usar sêmen de corte ou de leite.

Monitores de atividade e coleiras de ruminação

Para quem busca investir em algo que ofereça mais do que benefícios na reprodução, Sandeen sugere monitores de atividade ou coleiras de ruminação. Embora estas ferramentas possam ajudar a identificar uma vaca no cio rapidamente, elas geralmente fornecem outros dados valiosos.

“Acho que inicialmente muitas pessoas vão [comprar esses dispositivos] para ajudar a melhorar seu programa de reprodução, mas muitas vezes o verdadeiro benefício agregado é o monitoramento da saúde”, diz Sandeen. “Quando você vê animais se movendo menos ou não ruminando com a frequência que normalmente fazem, isto pode ser um indicador inicial muito útil de que eles precisam de nossa atenção. Assim, os produtores podem obter ainda mais valor do que apenas melhorar sua reprodução”.

Um vislumbre do futuro

A reprodução de animais de leite evoluiu com altos e baixos nas últimas décadas, mas isto levanta outra questão: o que vem a seguir?

“Eu gostaria de ver um teste desenvolvido para determinar a prenhez das vacas com base nos níveis da glicoproteína associada à gestação”, diz Fricke. “Para vacas vazias, gostaria de saber se elas têm alto ou baixo nível de progesterona, o que nos permite definir como faremos o programa de ressincronização dessas vacas, para otimizar a fertilidade”.

Outra possibilidade no futuro seria selecionar características específicas para determinados nichos de mercado, acrescenta Fricke.

“Acho que começaremos a ver os produtores de leite selecionando linhagens de gado para características específicas de um nicho de mercado”, diz ele. “Você pode ter uma linhagem de Holandês selecionada apenas para a produção de queijo, versus outra selecionada para a produção de leite, bem como talvez com altos níveis de gordura ômega-3 ou leite A2. Então, talvez possamos ser mais específicos sobre a seleção genética de uma linhagem de animais para realmente se encaixar em um nicho de mercado".

Invista com sabedoria

Esteja você procurando investir em tecnologias de reprodução, ou simplesmente fazer algumas atualizações em seu programa reprodutivo atual, é importante fazer a lição de casa antes de mergulhar de cabeça.

“É fácil ficar sobrecarregado com todas essas novas tecnologias, mas você certamente deseja olhar para o custo de todas essas ferramentas e avaliar os diferentes cenários”, diz Sandeen. “Muitas dessas coisas parecem novas e empolgantes, mas a menos que você seja realmente agressivo e queira estar muito na vanguarda, você precisa fazer alguma pesquisa e ter uma prova de que obterá os resultados que procura”.

 

Fonte: Dairy Herd Management

Autora: Taylor Leach

Tradução: Equipe Canal do Leite

Disponível em: https://www.dairyherd.com/news/dairy-production/repro-tech-more-you-know-more-you-can-control

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