Marcelo de Paula Xavier


Produtor Rural, Administrador de Empresas e Mestre em Agronegócios

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PUBLICAÇÕES

As campeãs nacionais da raça Jersey

13 de abril, 2020

Escrito por Marcelo de Paula Xavier, M.Sc.

 

Desde o ano passado, eu tenho escrito textos sobre grandes vacas Jersey no mundo. Em minha última coluna, inclusive, eu fiz um comparativo entre algumas das maiores Jersey de todos os temposFoi um exercício interessante, que mostrou um pouco do imenso legado deixado por estes animais fantásticos.

Alguns leitores me solicitaram que escrevesse sobre grandes vacas Jersey no Brasil. Infelizmente, não temos um banco de dados robusto em nosso país, com uma quantidade significativa de lactações controladas e classificações oficiais. Isto é uma realidade para a pecuária brasileira de modo geral e, sem dúvida, precisamos melhorar muito neste quesito.

Neste contexto, resolvi empreender uma pesquisa sobre as Jersey campeãs das Exposições Nacionais, pegando seu histório desde a primeira edição em 1982. Saliento que, segundo C. G. Rheingantz (grande conhecedor da raça no Brasil) antes de 1982, algumas exposições com "caráter nacional" foram realizadas sendo a primeira em Petrópolis (RJ), em 1942. 

Nesta coluna, vou me ater somente às Exposições Nacionais da “era contemporânea”. A grande maioria delas foi realizada em São Paulo, sendo muitas no Parque da Água Funda (Centro Imigrantes, na capital), algumas no Parque da Água Branca (local da antiga sede da ACGJB, também na capital) e uma na cidade de Avaré. Por fim, na transição para o Circuito Nacional da Raça Jersey, 2 Exposições Nacionais foram realizadas na capital nacional do leite, Castro (PR).

Para facilitar, eu dividi o histórico das Exposições Nacionais em 5 fases:

  1. Antes da era Expomilk;
  2. Durante a Expomilk;
  3. Durante a Feileite;
  4. Período de transição; e
  5. O Circutio Nacional da Raça Jersey.

Fase I - Pré Expomilk

As dez primeiras Exposições Nacionais da raça Jersey foram realizadas em São Paulo (capital), sendo a grande maioria delas no Parque da Água Funda, antigo Centro de Eventos da Imigrantes, que atualmente se chama São Paulo Expo. 

Este período foi marcado pela não padronização da data do evento, tendo sido realizado em fevereiro, em maio, em junho e até em novembro, o que prejudicava o planejamento dos criadores e o próprio evento.

A grande destaque dessas primeiras Exposições Nacionais foi a Cabanha Butiá (de Passo Fundo - RS), que ganhou muitos prêmios e conquistou vários grandes campeonatos, através da liderança do selecionador e visionário gaúcho Ronald Bertagnolli. Ele foi um criador que estava bem a frente de seu tempo e marcou época importando gado Jersey da América do Norte e da Europa.

Fase II - Expomilk

A Expomilk foi o grande ícone das Exposições Nacionais de Jersey antes do advento do Circuito Nacional da raça. Foram 15 eventos de grande repercussão, que atrairam a atenção de criadores e associações de todo o mundo, fazendo desta feira a mais importante exposição do setor na América Latina e a 4ª mais importante do mundo.

Algumas das grandes vacas Jersey da época foram importadas por criadores brasileiros de renome - como Ney B. Nogueira, Paulo R. Nolli, José Salvador Silva, José Baia Sobrinho, entre outros - e desfilaram nas pistas do Centro de Eventos da Imigrantes, marcando o nome "Expomilk" na história do Jersey mundial.

A Fazenda Nogueira Montanhês foi destaque absoluto dessa fase. Projeto ousado e de muito sucesso na Brasil, o criatório pertencente ao casal Ney e Sueli Nogueira teve seu ápice nas décadas de 1990 e 2000, chegando a ser considerada a melhor concentração de genética Jersey do mundo e a conquistar todos os prêmios da Exposição Nacional de 2002.

Fase III - Feileite

Ainda no Parque da Água Funda (Centro da Imigantes), mas como outro nome e com menos destaque em âmbito mundial, a Feileite substituiu a Expomilk e abrigou 6 Exposições Nacionais de Jersey.

No ocaso da Fazenda Nogueira Montanhês, quem se destacou nessa fase foi a Cabanha da Maya (de Bagé - RS), tendo a frente Zuleika Borges Torrealba, uma empresária carioca que tinha grande particpação nos negócios do Porto de Santos.

Mas, a influência da Nogueira Montanhês ainda se manteve forte nesse período, uma vez que o rebanho da Maya tinha sua base genética construida - em grande parte - com animais daquela primeira.

Fase IV - SP Interláctea e Agroleite

Em 2013, meu primeiro ano como presidente da Jersey Brasil, fui surpreendido por uma mudança drástica na administração do Centro de Eventos da Imigrantes. Após nova licitação do governo de São Paulo, o grupo GL Eventos Brasil assumiu o comando do local no dia 21 de agosto. 

Cabe salientar que a 32ª Exposição Nacional do Jersey estava marcada para acontecer - como de costume - no mês de novembro daquele ano. Obviamente que a organização de um evento assim é complexa e envolve não só os criadores e expositores, mas também uma gama de patrocinadores e outras empresas que participam desde a montagem dos estandes até o fornecimento de cama e comida para os animais.

Desta forma, fui pego no meio de um furacão após constatar que o grupo GL Eventos não teria condições para realizar a Feileite 2013. A opção mais favorável, naquela altura do campeonato, foi transferir a Exposição Nacional da raça Jersey para Avaré (SP), durante a SP Interláctea.

Como a participação de público e a repercussão na mídia deixaram a desejar no interior de São Paulo, no ano seguinte (2014), a melhor opção para o evento nacional foi Castro (PR). A Cooperativa Castrolanda realiza nesta cidade - há muitos anos - uma das melhores exposições do setor leiteito da América Latina: Agroleite.

Desta forma, por 2 anos consecutivos (2014 e 2015), a capital brasileira do leite foi o palco da Exposição Nacional do Jersey.

Fase V - Circuito Nacional da Raça Jersey

O Circuito Nacional da Raça Jersey (CNRJ) foi um divisor de águas no setor, mudando o paradgima das exposições nacionais e equilibrando melhor a disputa.

Lançado pela ACGJB em 2016, com apoio de suas filiadas, o CNRJ melhorou o fomento e a divulgação da raça no Brasil. O evento contribui sobremaneira para aumentar a participação de criadores e expositores, bem como para dar mais visibilidade ao Jersey brasileiro em âmbito mundial.

Para não tornar esse texto muito longo, vou deixar para escrever sobre o CNRJ com mais detalhes e mostrar suas campeãs na minha próxima coluna!

 

Referências: Tauras do Jersey, Jornal da Vaca Jersey e Revista A Vaca Jersey

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