Victor Breno Pedrosa


Zootecnista, Prof. Dr. de Melhoramento Animal e Estatística

vbpedrosa@uepg.br

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Você já pensou no objetivo de seleção genética do seu rebanho leiteiro?

11 de fevereiro, 2019

Autor: Dr. Victor Breno Pedrosa*

 

No Brasil, o aumento da produtividade dos rebanhos leiteiros é assunto constante entre técnicos e produtores. Sabe-se, inclusive, que nas principais bacias, ano após ano, os indicadores melhoraram em muitos aspectos, dentre eles, o próprio volume de leite. No entanto, no bate papo rotineiro porteira a dentro, muito se fala, por exemplo, sobre a melhoria na dieta, sobre a silagem bem-feita, sobre as melhorias nas instalações, porém pouco é comentado sobre os objetivos de seleção genética dentro da propriedade.

Definir os objetivos de seleção genética de uma propriedade deveria ser prioridade para o criador. Apenas com objetivos bem estabelecidos é que determinaremos o rumo de nosso rebanho. Neste contexto, eu sempre gosto de usar o velho ditado “Se não sabemos para onde queremos ir, não chegaremos a lugar algum” e, esse chavão também é valido para o produtor de leite, com relação ao melhoramento genético.

Note, muitos devem pensar, essa é fácil: “Eu quero aumentar a produção de leite do meu gado”. Eu respondo: “Ok, para isso você melhorou a dieta, melhorou o manejo, mas você sabe quem são seus melhores animais geneticamente?”. Essa resposta não é tão simples quanto parece pois, infelizmente, muitas vezes, os melhores animais geneticamente, não são aqueles que produzem mais leite. Se fosse assim tão simples, bastava ficar com as bezerras, filhas das vacas de maior produção, que o progresso genético era garantido. Por fim, todos sabemos que na prática isso não acontece sempre.

Para fazer melhoramento e definir de fato os objetivos de seleção de nosso rebanho, devemos conhecer a fundo a produção diária individual dos animais, observar quais características precisam ser melhoradas (agora não só individualmente, mas no rebanho como um todo), devemos conhecer a genealogia dos reprodutores e matrizes, conhecer as melhores (bem como as piores) famílias dentro do rebanho, estudar os catálogos de touros, enfim, aprofundar o conhecimento genético da fazenda. Somente avaliando os gargalos genéticos de nosso rebanho é que seremos capazes de determinar com excelência, quais devem ser os objetivos de seleção do rebanho.

Lembre-se, o volume de leite é importantíssimo para pagarmos nossas contas de hoje, porém, se não formos capazes de melhorar conjuntamente os demais aspectos necessários para plena manutenção futura do rebanho, as contas de “amanhã” serão muito mais difíceis de serem quitadas. Assim, características ligadas à sanidade, reprodução, longevidade e conformação devem ser constantemente monitoradas e nunca negligenciadas de nossa seleção genética. Desta maneira, nossos objetivos de seleção passam a ser muito mais do que somente “aumentar o leite no balde”. Criador, lhe faço um convite para incluir a genética em seu bate papo diário, e conte comigo para lhe ajudar nesta prosa. Confira mensalmente, aqui no Canal do Leite.

 

*Victor Breno Pedrosa - Professor Doutor na Universidade Estadual de Ponta Grossa. Possui graduação em Zootecnia, e Mestrado pela USP (Universidade de São Paulo). Tem especialização em Animal Genomics pela University of Guelph (Canadá) e Doutorado em Zootecnia pela USP (Universidade de São Paulo) e pelo Institut für Nutztiergenetik (Alemanha). É coordenador do LeMA - Laboratório de estudos em Melhoramento Animal.

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