Empresa paranaense desenvolve dispositivo para rastreabilidade do leite

Empresa paranaense desenvolve dispositivo para rastreabilidade do leite

28 de abril, 2019

A empresa NEUE TECHNOLOGIE, de Foz do Iguaçu/PR, está desenvolvendo um dispositivo eletrônico que visa garantir o controle de transporte do leite coletado nas fazendas brasileiras. O objetivo é assegurar que o produto chegue ao destino na quantidade e na qualidade ideais para comercialização e consumo.

A tecnologia foi idealizada a partir das necessidades levantadas com laticínios paranaenses, que buscam - através de inovações - novas formas de certificar que o leite seja transportado com segurança e sem qualquer tipo de intervenção não programada durante o trajeto.

De acordo com Aécio Flávio de Paula Filho, Gestor de Processos da empresa, entre os principais problemas identificados no setor estão os casos de adulteração físico-química do leite a partir da adição de conteúdos não autorizados como água, ureia, soda cáustica, bicarbonato de sódio e outros componentes químicos prejudiciais à saúde. A legislação brasileira não permite que sejam adicionadas substâncias ao leite desde a ordenha até a chegada na indústria.

Com a utilização do dispositivo, o processo de rastreabilidade da matéria-prima se inicia com a coleta de amostras na propriedade rural e segue até o caminhão transportador. São realizadas medições de volume e temperatura e testes de Alizarol1, além de armazenar amostras para outros tipos de análises. Os dados são transmitidos em tempo real e podem ser analisados tanto pelo produtor quanto pelo destinatário. Além disso, durante o deslocamento é possível realizar o acompanhamento de todo percurso.

O Paraná é o terceiro maior produtor de leite do País com mais de 200 laticínios, dos quais em torno de 70% são pequenos e médios. Segundo dados do DERAL (Departamento de Economia Rural), o estado fechou o ano de 2018 apresentando exportações de lácteos muito inferiores à importação. Sendo 9.806 toneladas de láteos importadas a mais do que as 1.611 toneladas exportadas, ou seja 86%.

Além da competitividade e da logística, uma das questões mais críticas enfrentadas pelo setor é justamente o histórico de fraudes sanitárias durante o transporte do leite. “Nosso equipamento tem potencial para tornar-se uma ferramenta estratégica no combate a esse tipo de ação, não só no Paraná como em todo o Brasil”, destacou Aécio, que também é engenheiro agrônomo.

O instrumento é o único no Brasil desenvolvido com tecnologia nacional e adaptado à realidade do país, uma vez que produtos similares são importados, focados na prevenção de roubos de cargas e tem um preço bem mais elevado. A durabilidade e resistência do modelo desenvolvido pela Neue também promete ser superior aos europeus.

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1 - A estabilidade ao alizarol é um teste rápida, muito empregada nas plataformas de recepção de leite, como um indicador de acidez e estabilidade térmica do produto. A amostra de leite é misturada a uma solução alcoólica contendo um indicador de pH (alizarina), para se observar se ocorre a formação de um precipitado, ou coagulação. Um aumento na acidez do leite, causada pelo crescimento de bactérias e produção de ácido láctico, causará um resultado positivo no teste. Em diversos países - como por exemplo na União Européia, nos EUA e no Canadá - a necessidade para estes testes declinaram, devido à rápida melhora na qualidade microbiológica do leite e ao reconhecimento de que problemas na estabilidade do leite associados à estação do ano, dieta e estágio da lactação.

 

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