O impacto do coronavírus chinês prejudica o mercado de laticínios

O impacto do coronavírus chinês prejudica o mercado de laticínios

17 de fevereiro, 2020

De acordo com análise divulgada pelo Rabobank no dia 14/02, o surto de coronavírus está interrompendo toda a cadeia de fornecimento de laticínios na China. Mesmo que, por enquanto, haja apenas informações limitadas, o banco avalia os impactos no mercado de laticínios chinês porque os efeitos potenciais no mercado global de laticínios não devem ser ignorados. 

Apesar de o impacto da epidemia na demanda por laticínios deva ser de curto prazo, a incerteza sobre sua duração real e as consequências psicológicas podem potencialmente trazer danos significativos ao consumo, o que afeta o processamento, a produção e a importação de lácteos.

O que uma interrupção de 30 dias pode gerar no consumo de laticínios

O fechamento de lojas de varejo e a diminuição do tráfego de consumidores nas redes de supermercados (parcialmente compensada pelo comércio on-line) teve um efeito material nas vendas durante o Ano Novo Chinês. Como resultado, os estoques do varejo - que estavam bem antes do feriado - continuam a aumentar. Houve alguma recuperação da capacidade de entrega dos varejistas on-line, mas a mobilidade continua sendo um problema em muitos lugares.

Com base em entrevistas com fontes chinesas, o Rabobank estima que um impacto de 30 dias poderia reduzir o consumo de leite fluido em 2% a 4% (em relação ao ano anterior), supondo que parte da perda do varejo seja compensada pelo e-commerce.

Durante o Ano Novo Chinês, os produtos lácteos premium foram severamente afetados, embora isso tenha sido potencialmente compensado por maiores vendas de produtos mais básicos para beber em casa. Se a situação for prolongada, isto pode significar um processo de des-premiumização, pelo menos durante o primeiro trimestre de 2020, impactando negativamente o valor das vendas no varejo.

Por outro lado, o consumo de queijo na China é fortemente inclinado para os canais de food service. O Rabobank inicialmente estima que um impacto de 30 dias poderia potencialmente reduzir a importação de queijo chinês em pelo menos 5% em relação ao ano passado, ou mais de 6.000 toneladas (consumo estimado com base na importação de quase 115.000 toneladas em 2019).

Os distribuidores experimentaram um movimento mais lento dos estoques pelos canais de varejo. Como resultado, eles estão atrasando o seu reabastecimento junto aos processadores. O reabastecimento também é impactado pelo controle do tráfego rodoviário e pela escassez de mão-de-obra após o Ano Novo Chinês, como resultado da mobilidade reduzida. Se levar um longo período de tempo para reiniciar o reabastecimento, o estoque de varejo começará a se deteriorar no restante do primeiro trimestre.

Produção e processamento em grande parte interrompidos pelo controle de tráfego rodoviário e menor consumo

Controles de tráfego rodoviário mais rigorosos estão sendo usados ​​na tentativa de conter a epidemia. Isso está causando interrupções na logística inter-provincial na China e até dentro das províncias, afetando as remessas de leite cru em várias regiões. As pequenas e médias fazendas parecem ter mais impacto do que as grandes, levando a alguns descartes de leite. 

O governo central emitiu circulares no final de janeiro e início de fevereiro, declarando a importância de um suprimento estável de alimentos, em termos de produção, distribuição e logística. Mas, isto pode levar algum tempo para ser normalizado na base da cadeia de suprimentos, colocando mais pressão do que o normal sobre os preços do leite, que geralmente tendem a baixar após o Ano Novo Chinês. 

O Rabobank está ciente de que os contratos de fornecimento de leite geralmente foram cumpridos entre grandes processadores e grandes fazendas que conseguiram entregar leite. No entanto, o leite vendido fora dos contratos tende a ter um preço muito mais baixo que o preço contratado. 

Em algumas regiões, as fazendas enfrentam escassez de alimentação para as vacas devido ao feriado prolongado do Ano Novo Chinês e, também, pelos controles de tráfego rodoviário. Qualquer persistência da situação poderia ter um efeito negativo adicional na produção de leite.

Relatórios de notícias e verificações com contatos do setor sugerem que foram iniciados processos para produção de leite em pó em várias regiões da China e a utilização da capacidade idustrial de secagem tem sido bastante alta, mesmo antes do novo fluxo de leite entrar em operação, devido à demanda final do varejo reduzida e distribuição interrompida.

O que isso poderia significar para as importações de laticínios da China em 2020

A China importou um total de quase 670.000 toneladas de Leite em Pó Integral em 2019 (+ 30% em relação a 2018) e um recorde de 340.000 toneladas métricas de Leite em Pó Desnatado (+ 23% em relação ao ano anterior). O Rabobank esperava que a importação da China no primeiro semestre de 2020 caísse 3% e que crescesse apenas 1% durante o ano. 

No entanto, é muito provável que a situação do coronavírus mude esta previsão significativamente. Pelo menos no curto prazo, isso deve reduzir o apetite da China por ingredientes lácteos, após a chegada de grandes remessas em dezembro de 2019 e janeiro de 2020, movimentação lenta dos estoques, níveis mais altos de produção de leite em pó e com a manutenção de estoques do ano passado.

Dado o grande impacto no serviço de alimentação, os efeitos indiretos podem levar os exportadores desse segmento a transferir parte da produção de queijo, manteiga e creme para leites em pó desnatado ou integral ao longo do tempo, resultando em mais leite em pó no mercado global, especialmente se a China começar uma desestocagem.

 

Fonte: Rabobank

Disponível em: https://research.rabobank.com/far/en/sectors/dairy/coronavirus-impact-on-chinese-dairy-sector.html

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