Mercado do leite e derivados 2020

Mercado do leite e derivados 2020

20 de agosto, 2020

A oferta internacional de leite segue crescente, mas em um ritmo mais lento, principalmente na Europa e Estados Unidos. Pelo lado da demanda, a China continua com importações relativamente firmes de manteiga, queijos e leite em pó integral. Apesar disso, as inúmeras incertezas provocadas pelo Covid-19 em nível global têm refletido nos preços internacionais. O leite em pó integral, por exemplo, passou de US$ 2.829/t em meados de junho para US$ 3.218/t no início de julho, voltando para US$ 3.003/t no leilão GDT de 04 de agosto. Portanto, o mundo vive um cenário em que as expectativas de curto prazo têm causado alta volatilidade e insegurança.

No Brasil, o custo de produção de leite segue desafiador para o produtor, sobretudo relacionado ao concentrado. O milho tem registrado valorização em plena colheita e comercialização da safrinha. O produtor de milho, capitalizado, está retendo o cereal e cadenciando as vendas. Além disso, houve um bom volume de comercialização antecipada e o produto disponível no mercado, neste momento, tem tido alta demanda. Dessa forma, a tendência é que estes preços se mantenham mais elevados, tanto no milho quanto no farelo de soja.

Apesar do aumento dos custos, considerando um ano bem atípico e com uma forte retração da economia brasileira, a cadeia produtiva do leite tem registrado um bom desempenho até o momento, com melhoria de margens em todos os elos.

As vendas de lácteos seguem crescendo em volume, com aumento de 5,3% nos primeiros seis meses do ano em relação ao mesmo período do ano passado (Figura 1). Quase todas as categorias estão registrando expansão, segundo pesquisa da Nielsen. Produtos como creme de leite, requeijão e leite em pó estão liderando o crescimento das vendas. Mesmo o leite UHT, que possui baixa elasticidade-renda, está com volume de vendas aumentando 3,3%. Os queijos também estão com incremento do volume de vendas nos supermercados, segundo informações do setor.

Boa parte deste crescimento da demanda tem sido suportado pelo apoio financeiro do Governo, com o auxílio emergencial (AE). De acordo com a pesquisa da PNAD do IBGE, o AE tem contribuído inclusive, para a redução da população que se encontrava em situação de pobreza ou extrema pobreza. Famílias de classes mais baixas viram sua renda se multiplicar com o AE, o que culminou em maiores gastos nos supermercados e na compra de alimentos. Domicílios em extrema pobreza, tiveram a renda per capita aumentada de R$ 11 para R$ 239 por mês. Provavelmente, algumas dessas famílias nunca haviam vivenciado tal situação.

Pelo lado da oferta, a redução na captação de leite pelos laticínios, que caiu 2,9% no 2º trimestre em relação ao mesmo período de 2019 segundo o IBGE, somado ao baixo volume importado, acabou limitando a disponibilidade interna. Isso tem sustentado as cotações do leite e dos derivados. O leite no mercado Spot atingiu R$ 2,56/l na primeira quinzena de agosto em Minas Gerais, alta de 62% sobre fevereiro (período pré-Covid). O leite UHT e o queijo muçarela também seguem com expressivas valorizações, superiores a 40% neste início de agosto em relação ao pré-Covid.

Essa valorização dos lácteos no mercado interno, acabou estimulando um pouco as importações. O mês de julho foi o primeiro do ano em que o volume importado superou o de igual mês do ano passado. A mesma tendência vem sendo observada nesse início de agosto. Ou seja, uma maior entrada de leite em pó e queijos oriundos do Mercosul, apesar da desvalorização do Real frente ao Dólar. Com os preços mais altos no Brasil, a tendência é que as importações registrem um volume maior no segundo semestre, o que tende a frear os preços domésticos. De todo modo, a situação até o final do primeiro semestre mostrou-se satisfatória para a cadeia produtiva do leite.

Para o segundo semestre, novas variáveis trarão desafios para o equilíbrio do mercado e a sustentação de bom desempenho da cadeia produtiva: 1) maior crescimento da produção interna com o avanço da safra de leite; 2) duração do auxílio emergencial e seus impactos no consumo; 3) maior volume importado de lácteos; e 4) cenário macroeconômico complexo, considerando retração acima de 5% no PIB, fechamento de pequenas empresas, aumento do desemprego e elevação da dívida pública.

 

Autores: Autores: Glauco R. Carvalho, Denis T. Rocha, João Cesar de Resende, José Luiz B. Leite, Lorildo A. Stock, Kennya B. Siqueira, Luiz Antônio A. Oliveira; Manuela S. Lana, Marcos C. Hott, Ricardo G. Andrade, Walter C. Magalhães e Davi Chaves.

Fonte: CILeite – Embrapa

Disponível em: https://www.cileite.com.br/nota_conjuntura_ago2020

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