Oferta e demanda de leite no Brasil de 1990 a 2019

Oferta e demanda de leite no Brasil de 1990 a 2019

11 de setembro, 2020

A cadeia produtiva do leite no Brasil tem passado por importantes transformações nas últimas décadas, registrando grande crescimento de produção e consumo, com intensa modernização tecnológica. O maior direcionador de consumo de leite é a renda e esta variável foi a tônica da expansão desta cadeia produtiva nos últimos 30 anos.

Entre 1990 e 2019, a produção de leite cresceu 139%, enquanto o consumo aparente total subiu 131%. Já, o consumo aparente per capita registrou alta de 50%. Vale lembrar que o consumo aparente se refere à soma da produção com as importações, subtraindo as exportações. Ou seja, refere-se a toda absorção de leite dentro das fronteiras brasileiras, seja consumido diretamente ou indiretamente.

Para se ter ideia do dinamismo do leite brasileiro,o PIB do Brasil cresceu 96% no período analisado. Portanto, a produção de leite cresceu quase 1,5 vez acima da média da economia brasileira. Mas, esta evolução não foi linear, ocorrendo de forma distinta dependendo do período analisado.

PERÍODO 1 (1990-2000): CONSUMO GANHA DESTAQUE

Durante este período, houve grande evolução da produção e do consumo aparente total, sendo que a expansão do consumo foi superior. Vale lembrar que foi a década de implementação do Plano Real, com redução da inflação e melhoria de renda da população brasileira. Isso acabou puxando a demanda e - consequentemente - as importações, para abastecer um contingente populacional com ganhos no poder de compra.

A produção de leite registrou importante crescimento, mas não foi suficiente para abastecer o mercado doméstico. O crescimento do PIB real nesse período foi de 2,6% ao ano. Já, a produtividade média das vacas registrou aumento anual de 3,8%  - mostrando que o setor seguiu investindo e evoluindo tecnologicamente.

PERÍODO 2 (2000-2013): PRODUÇÃO PROMOVE EXPORTAÇÃO

Esse foi o período de maior dinamismo na evolução de oferta e demanda, quando o crescimento médio anual da produção e do consumo total foi de 4,3% e 3,9%, respectivamente. Aumento espetacular, mas que também ilustrou a forte aceleração da produção, que evoluiu acima do consumo total. Isso acabou gerando uma oportunidade para o Brasil no mercado exportador, o que de fato ocorreu em 2007 e 2008, mas sem sustentação.

Durante esse período, o crescimento da economia foi de 3,5%, o que foi fundamental para a expansão mais acelerada da oferta e da demanda na cadeia produtiva do leite. Os ganhos de produtividade das vacas permaneceram em expansão, com elevação de 2,3% ao ano.

PERÍODO 3 (2013-2019): ANOS DE ESTABILIDADE

Sem dúvida, esse foi um período bastante complexo, mas de enorme aprendizado e evolução tecnológica em toda a cadeia produtiva. A produção e o consumo total de leite e derivados ficou praticamente estável. Foram anos sombrios, com queda na produção de leite durante três anos consecutivos (2015 a 2017), o que nunca havia ocorrido antes.

A economia brasileira entrou em recessão e acabou segurando o setor em termos de expansão da oferta e demanda. O consumo per capita recuou, como reflexo dessa retração de renda. Mas, ainda assim, a evolução tecnológica continuou ocorrendo no setor, sobretudo com o maior uso de agricultura e pecuária de precisão, com implementação de novos sistemas de produção e maiores investimentos em automatização e sensores.

Houve importante ganhos de escala na produção, mas isso ocorreu em paralelo a um processo de exclusão acelerada de produtores, que não conseguiram se modernizar. A produtividade média das vacas no Brasil aumentou cerca de 45% no período, enquanto o número de vacas caiu cerca de 30%. Portanto, as fazendas focaram mais na gestão, descartando animais de baixa produtividade e melhorando a eficiencia dos fatores de produção.

Finalmente, entramos em 2020, com oferta relativamente limitada devido à piora na relação entre preço de leite e custo de produção, que foi deteriorando já no final do ano passado. Além disso, a forte estiagem que afetou o Rio Grande do Sul no iníco do ano comprometeu também a oferta de leite. Ou seja, havia diversos elementos que poderiam dar maior suporte aos preços domésticos, sobretudo com o início da entressafra a partir de abril.

Mas, esse cenário acabou sendo prejudicado pela pandemia da Covid-19, com reflexos negativos sobre a renda, o consumo e a atuação de diversos pequenos laticínios mais focados em produtos de maior perecibilidade. Portanto, mais um ano de complexidade elevada recai sobre a produção de leite. Neste caso, necessitando conviver com algo desconhecido, que certamente deixará enormes sequelas, mas também aprendizados.

 

Fonte: Anuário do Leite 2020 – Embrapa

Autor: Glauco R. Carvalho e Denis Teixeira da Rocha

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