Febre do leite: predisposição, prevenção e impacto na sua produção!

Febre do leite: predisposição, prevenção e impacto na sua produção!

29 de outubro, 2025

Autor: M.V. Gustavo de Sena (CRMV PR: 25484)

 

A FEBRE DO LEITE (Hipocalcemia Puerperal) é uma manifestação clínica da hipocalcemia, que é um distúrbio metabólico ocasionado por níveis reduzidos de cálcio no sangue, sendo mais comum nas primeiras 72h após o parto. O início da lactação é de grande impacto no organismo do animal já que durante o parto a demanda por cálcio aumenta significativamente devido a necessidade da produção de leite e colostro.

Os animais podem a hipocalcemia clínica ou subclínica, a clínica caracterizada por sinais visíveis (tremores musculares, ataxia, e dificuldade respiratória em um primeiro momento e depois podendo evoluir para prostração em decúbito lateral). Já a subclínica não apresenta sinais visíveis, mas o produtor deve ficar atento já que pode ocasionar uma redução de produção e predisposição a doenças.

Vacas leiteiras de alta produção podem ser mais suscetíveis – por conta da alta demanda de cálcio que ultrapassa os níveis de capacidade de absorção de cálcio – porém toda vaca no período periparto (48h antes e 48h depois do parto) passa por uma diminuição de cálcio significativa, por isso é necessária uma atenção extra para esses momentos!

Alguns fatores que podem predispor a FEBRE DO LEITE

  • Raça e produção de leite: Animais com alta produção de leite e principalmente raças direcionadas a tal prática (Holandesa, Jersey por exemplo), tem maior tendencia de desenvolver a hipocalcemia.
  • Alimentação inadequada: O fator predisponente para a hipocalcemia puerperal é a alimentação inadequada e, por incrível que pareça, não é a baixa ingestão de cálcio pré-parto, mas sim a excessiva ingestão de cálcio nesse período. Em casos em que a vaca tem uma ingestão de sobra de cálcio na sua dieta antes do parto, o corpo “se acostuma” a ter cálcio de sobra, com os mecanismos internos ficando pouco ativos e quando chega o parto a vaca precisa de uma quantidade enorme de cálcio, o organismo não consegue reagir rápido.
  • Reincidência: Animais que já tiveram febre do leite em lactações anteriores tendem a ter maior chance de desenvolver novamente.
  • Concentração de cálcio: Os níveis de cálcio no organismo da vaca, especialmente no período final da gestação, têm grande influência na predisposição à febre do leite. No período periparto (três semanas antes até três semanas após o parto), ocorre um aumento súbito na demanda de cálcio, principalmente para a produção de colostro e para o início da lactação.

Mais importante do que apenas fornecer cálcio na dieta é garantir que o organismo esteja preparado para mobilizar rapidamente suas reservas internas e absorver esse mineral de forma eficiente. Quando a vaca recebe excesso de cálcio na dieta pré-parto, esses mecanismos ficam “inativos” e, no momento em que a necessidade dispara, ela não consegue responder. Por outro lado, dietas bem equilibradas no pré-parto mantêm o organismo em estado de alerta, favorecendo a adaptação e reduzindo os riscos da hipocalcemia puerperal

A febre do leite acaba sendo de grande impacto econômico para o produtor por uma redução drástica na produção e facilitando complicações secundárias que podem trazer maiores prejuízos com tratamentos, produtividade e até mesmo a morte do animal.

Complicações secundarias:

  • Atonia Ruminal;
  • Falta de apetite;
  • Retenção de placenta;
  • Mastite e metrite;
  • Dificuldades de partos.

Técnicas de prevenção são essenciais para uma produção ideal, evitando doenças e gastos citados acima, para isso é necessário seguir algumas dicas de prevenções:

  • Dietas com níveis de cálcio controlados em períodos de pré-parto;
  • Aplicação de cálcio imediatamente após o parto (onde a maior declínio desse mineral).

Para um tratamento eficaz da febre do leite é necessário um reestabelecimento desses níveis de cálcio para suprir as necessidades do organismo.

Os produtores necessitam ficar sempre atentos a possíveis problemas que podem surgir em cada fase da produção, a detecção precoce e o manejo adequado são fundamentais para minimizar os impactos econômicos das doenças do periparto. Implementar medidas de prevenção eficazes e monitorar constantemente a saúde do rebanho são estratégias essenciais para garantir a produtividade e a rentabilidade da produção.

 

 

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Referências:

Arechiga-Flores, Carlos Fernando, Cortés-Vidauri, Zimri, Hernández-Briano, Pedro, Lozano-Domínguez, Renato Raúl, López-Carlos, Marco Antonio, Macías-Cruz, Ulises, & Avendaño-Reyes, Leonel. (2022). Hypocalcemia in the dairy cow. Review. Revista mexicana de ciencias pecuarias, 13(4), 1025-1054. Epub 11 de noviembre de 2022.

GONZÁLEZ, Félix H. D., editor. A vaca leiteira do século 21: lições de metabolismo e nutrição Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Faculdade de Veterinária, 2021.

HERDT, Thomas H. Metabolic Diseases of Dairy Cattle. Veterinary Clinics of North America: Food Animal Practice, v.29, n.2, 2013

Ibrahim, Nuraddis & Kirmani, Ahmed. (2021). Milk Fever in Dairy Cows: A Systematic Review.

OLIVEIRA, Vânia Maria de; AROEIRA, Luiz Januário Magalhães; SILVA, Márcio Roberto. Como prevenir a "febre do leite" em vacas leiteiras. Comunicado Técnico Embrapa, n.49, Juiz de Fora, MG, julho 2006. ISSN 1678-3123.

ROSSI, Maisa Testoni; ROMÃO, Fernanda Tamara Neme Mobaid Agudo. Hipocalcemia pós-parto em vacas de leite. Rev. Cient. Eletr. de Med. Vet. FAEF, n.37, nov. 2021.

SILVEIRA, Pedro Augusto Silva; FENSTERSEIFER, Samanta; PEREIRA, Rubens Alves; SCHNEIDER, Augusto; BIANCHI, Ivan; CORRÊA, Marcio Nunes. Impacto Econômico das Doenças do Periparto de vacas leiteiras. NUPEEC – Núcleo de Pesquisa, Ensino e Extensão em Pecuária. Pelotas: NUPEEC, setembro 2009.

 

 

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