O Sindi é, originalmente, uma raça indiana

O Sindi é, originalmente, uma raça indiana

24 de abril, 2019

Escrito por José Otávio Lemos*

 

Sim, o Sindi, que na origem e na língua inglesa é o Red Sindhi, desenvolveu-se em área, hoje, paquistanesa; mas até 1947, era território indiano. Então, as primeiras chegadas da raça em solo brasileiro tiveram origem na Índia.

A raça originou-se no, atual, estado paquistanês de Sind, mas devido à sua tolerância ao calor e altas produções de leite, foi levado para muitas partes da Índia e pelo menos 33 países da Ásia, África, Oceania e Américas. 

Uma curiosidade: o primeiro Brahman registrado no mundo (1924), lá nos Estados Unidos, chamava-se Sam Houston e era filho de touro Sindi.

Na Índia, somente uma fazenda do governo trabalha com a seleção da raça. Ela fica em Hosur, e tive a oportunidade de visitá-la. Não me esqueço de ter visto o cemitério dos bons animais que receberam túmulo com direito a lápides com os devidos registros de nome, datas de nascimento e de morte.

Em condições de boa gestão, o Sindi, na Índia, tem uma média de produção leiteira entre 1.700 kg e 3.400 kg por lactação. Lá, a altura média de uma vaca Sindi é de 116 cm com um peso corporal de 340 kg. Os touros medem 134 cm de altura e um peso corporal de 420 kg.

Eles são normalmente de uma cor vermelha, mas isso pode variar de castanho amarelado a marrom escuro. Os machos são mais escuros do que fêmeas e quando maduros podem ser quase pretos nas extremidades, tais como a cabeça, pés e cauda. Observa-se, às vezes, pintas brancas na barbela, na testa e no ventre, porém sem manchas grandes.

Os animais da raça Sindi têm uma bela aparência, adequados para regiões de poucos recursos alimentares, onde seria difícil a manutenção de animais de grande porte, adaptando-se facilmente a diferentes condições de clima e solo. 
A primeira importação oficial deste zebuíno indiano para o Brasil se deu em 1850. Foi de um touro Sindi e pelo Visconde de Paraguaçu. Depois, de 1854 a 1856, entraram casais de Sindi que foram criados em fazendas da Baixada Fluminense. Disso, não surgiu nenhum trabalho de avanço da raça que se tenha registro.

Em 1930, trazido por Ravísio Lemos e Manoel de Oliveira Prata, desembarcou na Ilha do Governador, Rio de Janeiro, um lote que realmente começa a história do Sindi no Brasil. Depois, 1952, Felizberto de Camargo, diretor do Instituto Agronômico do Norte, venceu grandes dificuldades e trouxe do Paquistão um novo lote de animais, que fizeram quarentena em Soure, na Ilha do Marajó. 

Foi com a chegada desse lote de 1952 que, presente numa palestra do Felizberto em São Paulo, José Cesário de Castilho descobre qual era o gado que tinha na sua propriedade, a Fazenda Tabaju, em Novo Horizonte/SP. 
João Pereira Lima comprou as fêmeas e o macho trazidos por Lemos e Prata e que ficaram na fazenda do mesmo em Jardinópolis/SP. Depois, o gado foi vendido para um criador de Araraquara/SP, que por longo tempo ficaram isolados. Inclusive, lá, viveu um touro que faleceu aos 28 anos de idade e foi grande responsável pela padronização do lote. Esse grupamento é que dá origem ao Sindi de José Cesário de Castilho e de outros criadores daquela região paulista.

José Cesário de Castilho e o Departamento de Produção Animal - DPA do Governo de São Paulo fizeram uma parceria importantíssima. Com o uso do touro Colorado e 30 reprodutoras, a progênie, por 10 anos, foi dividida entre as duas partes igualitariamente.

O gado Sindi do DPA saiu de Nova Odessa e foi para a Estação Experimental de Riberão Preto, que teve inclusão de genética da importação de Felizberto Camargo via animais que seguiram para Escola Superior de Agricultura de Piracicaba, na qual formou-se um novo núcleo, mais tarde incorporado ao de Riberão Preto.

Outro centro de seleção importante foi o do alagoano Talvanes Augusto de Barros. Nele, quase 200 animais. Depois, Osvaldo Gomes de Barros foi outro destacado criador da Alagoas.

Na Paraíba, o Sindi entrou com uma parceria estabelecida entre Castilho e a Universidade Federal daquele estado.
Assim foram estabelecidos os núcleos iniciais da raça Sindi no Brasil.

 

*José Otávio Lemos, Zootecnista, Artista Plástico e Escritor. Sócio-Diretor Presidente na empresa JOL Empresa Múltipla. Ocupante da cadeira de número 5 na Academia de Letras do Triângulo Mineiro.

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