Maria Flavia Tavares


Economista, Doutora em Agronegócios, Proprietária da MFT Consultoria

mariaflavia@mftconagro.com.br

PUBLICAÇÕES

Conhecimento do mercado como diferencial de produção

12 de fevereiro, 2019

Autora: Dra. Maria Flávia Tavares*

O tema abordado nesta coluna hoje será sobre os custos de produção do leite, em especial aos relacionados ao preço do milho e da soja, que são utilizados na produção de concentrados. Os preços pagos ao produtor de leite são muito voláteis e recebem a influência direta das cotações internacionais de commodities agrícolas como soja e milho, da variação cambial, da oferta e demanda, do comportamento do consumidor, da logística etc.  

É importante também utilizar os preços formados nas Bolsas de Mercadorias como a Chicago Mercantile Exchange-CME, como um sinalizador de preços futuros.  É possível acompanhar os contratos em aberto da soja e saber qual será o preço que estão negociando para daqui alguns meses, e a partir daí analisar como o mercado se comportará.

Em relação à soja e ao milho, é preciso que o produtor de leite acompanhe e analise alguns fatores como o balanço da oferta e demanda mundial, estimativas de plantio e produção, demanda da China, estoques mundiais, etc.

A CONAB divulgou no seu último boletim em fevereiro que haverá um aumento da produção brasileira de milho, passando de 92,2 para 92,7 milhões de toneladas. Para a soja, a previsão é de uma redução de 118,8 para 115,30 milhões de toneladas na safra 2018/19. No último relatório divulgado em fevereiro pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), a produção brasileira de soja teve uma redução sendo estimada em 117 milhões de toneladas.

Segundo o mesmo relatório, para a safra 2018/19 a produção mundial de soja está estimada em 360 milhões de toneladas, a demanda terá um aumento passando de 336,08 milhões de toneladas para 349,44 milhões. A demanda da China permanecerá no mesmo patamar de 106,10 milhões de toneladas, com redução das importações e redução dos estoques finais de 23,54 milhões toneladas para 21,22 milhões.

No milho, o USDA estima que a produção mundial terá um aumento de 339,47 para 360,49 milhões de toneladas, e um aumento de demanda de 3,98% passando para 349,44 milhões de toneladas. Para o Brasil, é estimado um aumento de produção de 15,24%, passando para 94,50 milhões de toneladas, e um aumento da demanda interna para 66,50 milhões de toneladas.

Nos Estados Unidos, é realizada anualmente uma pesquisa da Purdue University /CME Group  com 400 produtores agrícolas de todo o país. Para entender melhor as intenções dos agricultores em 2019, a pesquisa perguntou aos agricultores que plantaram soja em 2018 quais seriam seus planos para 2019. Dois terços dos entrevistados disseram que sua área plantada de soja será a mesma que em 2018, mas 25% dos produtores de soja disseram que pretendem reduzir sua área de plantio em 2019, na comparação com 2018.

Analisando especificamente os agricultores que planejam reduzir sua área plantada de soja em 2019, 58% disseram que reduzirão a área em mais de 10%, enquanto 42% disseram que reduziriam a área em 10% ou menos. O principal motivo para esta redução de área é a perspectiva negativa dos preços da soja para 2019.

É importante que o produtor de leite acompanhe o mercado físico e futuro das commodities agrícolas que tem relação com a sua produção, como a soja e o milho, pois ele terá mais variáveis para a sua tomada de decisão. Ao acompanhar o mercado, ele poderá se programar e administrar os seus riscos no futuro. Por exemplo, o mercado está sinalizando que a oferta de milho irá aumentar o que levará a uma redução do seu preço, mas por outro lado poderá ocorrer redução da área plantada de soja no Brasil e na Argentina, levando a um aumento do seu preço.

É muito importante que o produtor faça um planejamento de sua produção de médio e longo prazo, e trace estratégias de compra do seu insumo baseado nas suas expectativas de mercado. Para isso, ele precisa conhecer muito bem todos os fatores que afetarão os seus custos de produção, para poder administrar todos os riscos envolvidos em seu negócio.

 

*Maria Flávia Tavares formada em Ciências Econômicas pela UNESP, tem mestrado em Administração e Política de Recursos Minerais pela UNICAMP e doutorado em Agronegócios pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atua como árbitra na Câmara Arbitral da Bolsa Brasileira de Mercadorias. Atualmente, é diretora da MFT Consultoria em Agronegócios onde trabalha com qualificação profissional no Agronegócio. Também elabora estudos de Inteligência de Mercado e Análises Setoriais e conteúdos para cursos EAD. Recebeu o Troféu Destaque Marketing Rural 2013, concedido pela Comissão das Produtoras Rurais da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (FARSUL).

Lattes: http://lattes.cnpq.br/1129968334019765

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