DIA MUNDIAL DO LEITE: Consumo oscila na pandemia e produtores reclamam dos baixos preços

DIA MUNDIAL DO LEITE: Consumo oscila na pandemia e produtores reclamam dos baixos preços

No Dia Mundial do Leite (comemorado 1º de junho), os produtores encaram um momento de mais desafios do que comemorações. Com alto custo de produção e preço do leite em queda, as mudanças de cenário têm sido diárias e os pecuaristas têm se esforçado para superar os obstáculos.

Wallisson Lara, analista de agronegócios da FAEMG (Federação de Agricultura e Pecuária de Minas Gerais), lembra que – para os produtores – os primeiros dias da pandemia foram de muitas dificuldades no escoamento da produção (inclusive descarte de leite); ao mesmo tempo em que os consumidores corriam às compras. Crescia a demanda por derivados lácteos de mais longa validade (UHT e leite em pó), que rapidamente registraram preços mais altos no varejo. “E pouco, ou nenhum, acréscimo ao produtor”, lembra Lara. “O mercado logo mostrou que o movimento foi um ‘voo de galinha’ e o consumo declinou”.

Dois meses se passaram e o escoamento do leite para os laticínios já está normalizado na maior parte do país. Porém, o fechamento do setor de foodservice (bares, restaurantes e lanchonetes) ainda dificulta a comercialização da produção para alguns segmentos, como o de queijos. Aliás, associações de queijeiros artesanais estão pleiteando tarifas especiais para o envio dos produtos pelos correios.

“Para completar, o cenário da pecuária leiteira hoje é de elevados custos de produção. A relação de troca (valor do leite produzido x custo com alimentação do rebanho) é bastante desfavorável ao produtor. Em abril, foram necessários 47,6 litros de leite para a aquisição de 60 kg de mistura (ração). Para se ter uma ideia, no mesmo mês de 2019, essa relação ficava em 32,7 litros”, diz Wallisson Lara.

 

LIDERANÇA MINEIRA

Maior produtor do país, Minas Gerais produziu 8,9 bilhões de litros de leite em 2019 (26,4% do total nacional que foi de 33,8 bilhões de litros). O valor bruto da atividade (VBP) ultrapassou R$ 9,5 bilhões no estado. Uma das mais importantes e tradicionais cadeias do agro mineiro, a pecuária de leite está presente em todas as regiões de Minas, com mais de 3 milhões de vacas ordenhadas, em 225 mil propriedades rurais.

A produtividade média no estado é de 2.840 litros por animal ao ano (ou 9,3 litros/vaca/dia). Esse indicador é um dos que mais tem avançado ao longo dos anos, revelando o investimento dos pecuaristas em melhoramento genético, nutrição animal e cuidados diversos com o rebanho. “A genômica e a nanotecnologia têm ganhado espaço. Mas, esse aumento da produtividade mineira é, sobretudo, resultado de assistência técnica continuada”, explica o vice-presidente do Sistema FAEMG, Rodrigo Alvim.

“Em um país em que 80% dos produtores de leite estão em pequenas propriedades familiares, a assistência técnica tem sido fundamental para melhorar cada vez mais o trabalho e a renda de milhares de produtores”, ressalta Alvim. 

 

CONSELEITE

Com a produtividade em alta, o desafio do setor está na negociação com os laticínios. Em atividade há pouco mais de um ano, o Conseleite/MG era um sonho antigo do setor. Uma das atribuições do colegiado é calcular um valor referência para o leite padrão no estado, reduzindo os conflitos entre produtores e indústria, que se iniciaram na década de 1990, com a fim do tabelamento do preço do leite no país.

O presidente da Comissão Estadual de Pecuária de Leite da FAEMG e membro técnico do Conseleite/MG, Eduardo Pena, explica que o valor de referência serve como uma base para a livre negociação. O índice é calculado mensalmente por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná, a partir das informações colhidas pelo Conselho e de fórmulas matemáticas, que levam em conta os custos de produção da matéria-prima leite e de diversos derivados lácteos, bem como o preço de venda destes produtos, que é a capacidade de pagamento das indústrias.

“O valor de referência pretende representar, com objetividade e transparência, um valor justo para a remuneração da matéria-prima tanto para os produtores rurais quanto para as indústrias. E vem sendo importante tanto para o registro dos movimentos do mercado como para o planejamento do produtor em um curto prazo”, diz Eduardo Pena.

 

RANKING DE PRODUÇÃO

Produção no mundo (em bilhões de litros)

1º lugar - EUA  - 91,3

2º lugar - Índia – 60,6

3º lugar - China – 35,7

4º lugar - Brasil – 34,3

 

Produção no Brasil (mil litros)

1º lugar - Minas Gerais (26,4%) – 8.939.159

2º lugar - Paraná (12,5%) – 4.375.422

3º lugar - Rio Grande do Sul (12,5%) – 4.242.293

4º lugar - Goiás (9,1%) – 3.084.080

5º lugar - Santa Catarina (8,8%) – 2.970.654

 

DIA MUNDIAL DO LEITE

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO/ONU) instituiu - em 2001 - o dia 1º de junho como o Dia Mundial do Leite, para incentivar o consumo deste alimento tão importante para a saúde humana, por ser rico em cálcio e outros nutrientes. Atualmente, mais de 85 países comemoram a data.

“O maior motivo para se comemorar o Dia Mundial do Leite é a alta qualidade que encontramos hoje no próprio produto, alimento tão completo e indispensável à vida, que deveria ser celebrado todos os dias. E é importante oportunidade de valorizarmos o leite, o trabalho dos produtores e da indústria, e de levarmos informações ao consumidor, promovendo cada vez mais o consumo”, ressalta Rodrigo Alvim, vice-presidente do Sistema FAEMG.

 

HISTÓRIA E SAÚDE

O leite começou a ser consumido pelos humanos há 11 mil anos, com a domesticação da vaca, no Oriente Médio. Até pouco tempo, o consumo era apenas fresco, devido às dificuldades de conservação. Com novas tecnologias, surgiram os derivados - como a manteiga e o queijo - e a produção de lácteos se diversificou. No entanto, somente após a descoberta da pasteurização (em 1864), o processamento do leite ficou mais higiênico, a conservação mais fácil e o consumo foi intensificado. Hoje, a produção de leite no mundo ultrapassa 513 bilhões de litros por ano.   

O Brasil ocupa a 65ª posição no consumo mundial de produtos lácteos, com uma média anual de 169 litros por pessoa, valor abaixo do ideal estabelecido pelas Nações Unidas, que é de 200 a 220 litros por ano.

O leite e seus derivados são os principais fornecedores de cálcio, nutriente essencial para a formação dos ossos. Além de conter proteínas, carboidratos, sais minerais e vitaminas (A, B1, B12), o leite é um dos alimentos de origem animal com menos colesterol.

Os tipos de leite mais comuns são: integral, semidesnatados, desnatado, enriquecido (com ferro e vitaminas) e sem lactose.

Os benefícios nutricionais também são marca dos produtos lácteos. O mix cresce a cada ano, expandindo o consumo e conquistando novas fatias de mercado. Queijos, iogurtes, creme de leite, doce de leite, requeijão, manteiga, ricota são alguns dos muitos produtos que garantem mais saúde ao consumidor e lucratividade a produtores e laticínios.

 
Fonte: FAEMG
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