Alta nos preços internacionais e redução das importações em janeiro abrem caminho para a recuperação do mercado de leite no Brasil

Alta nos preços internacionais e redução das importações em janeiro abrem caminho para a recuperação do mercado de leite no Brasil

15 de fevereiro, 2026

Após uma trajetória prolongada de queda nos preços ao produtor, o mercado lácteo brasileiro começa a apresentar sinais pontuais de estabilização. A alta recente dos preços internacionais das commodities, a redução das importações em janeiro (frente ao mesmo mês de 2025) e a leve reação das cotações no mercado interno, sugerem possível recomposição gradual para o produtor.

No cenário internacional, os preços do leite em pó (integral e desnatado), manteiga e muçarela registraram alta nos dados mais recentes de fevereiro. A produção mundial mostra estabilização o que tende a favorecer a recuperação do setor após um período de maior fragilidade.

No Brasil, os preços spot em Minas Gerais melhoraram na segunda quinzena de janeiro, sinalizando ajuste de curto prazo entre oferta e demanda. No atacado, após quedas desde novembro nos preços do leite UHT e da muçarela, houve reação no início de fevereiro. O leite em pó fracionado manteve a tendência de alta dos últimos meses, embora ainda apresente oscilações.

O spread entre o preço de importação e o valor atacadista do leite em pó integral aumentou recentemente. Contudo, o recuo recente do preço no atacado aproximou temporariamente os dois valores, reduzindo a atratividade da importação.

Parte da pressão sobre os preços ao produtor em 2025 foi atribuída ao excesso de oferta interna associado ao elevado volume de importações. Em janeiro de 2026, as importações recuaram cerca de 15% frente a janeiro de 2025, movimento considerado positivo para o equilíbrio do mercado.

O ambiente macroeconômico apresenta sinais favoráveis. Em 2025, a massa real de rendimentos cresceu 5,4% em relação a 2024, enquanto o número de ocupados avançou aproximadamente 1,98%. Para 2026, as expectativas indicam PIB em torno de 1,8%, inflação abaixo da meta e queda gradual da SELIC, contribuindo para um ambiente favorável ao consumo.

O IPCA em janeiro, considerando os últimos 12 meses, foi divulgado em 4,4%, com o grupo Alimentação e Bebidas contribuindo para conter a inflação, especialmente pelo comportamento do leite UHT. Embora alguns derivados registraram alta, porém abaixo da média geral.

No lado da demanda, observa-se migração parcial do consumo para produtos diferenciados, como lácteos com maior teor proteico e iogurtes premium, que sustentam margens mais elevadas. Por outro lado, nos itens de grande volume, como leite UHT e muçarela, nota-se uma maior participação do varejo do preço final, com redução relativa da indústria e do produtor. Essa compressão de margens para estes elos da cadeia, tem gerado dificuldades estruturais, incluindo fechamento de plantas e ajustes produtivos.

Já o custo de produção do leite acumula alta de 523% desde 2006. No mês de janeiro, a variação foi de 1,6%, influenciada pelo grupo mão de obra, consequência do reajuste do salário mínimo; no acumulado de 12 meses, a alta é de 1,4%. Entre os insumos da ração, o milho permanece lateralizado, enquanto a soja apresentou estabilização, após elevação a partir de outubro.

O mercado começa 2026 com alguns sinais de melhora. Mas a consolidação dessa recuperação ainda depende do comportamento da oferta interna, do câmbio e de como as margens vão se ajustar ao longo da cadeia. A concentração do varejo, a situação financeira da indústria e a evolução dos custos seguem como pontos de atenção. Os próximos meses serão importantes para entender se a reação recente dos preços ao produtor vai, de fato, se sustentar ao longo do ano.

 

Fonte: Centro de Inteligência do Leite (CILeite/Embrapa)

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