Balança comercial de lácteos mantém importações elevadas em 2025

Balança comercial de lácteos mantém importações elevadas em 2025

08 de junho, 2026

Apesar da predominância da produção nacional na composição da oferta doméstica, o saldo das trocas comerciais também integra o indicador de disponibilidade interna de leite no Brasil. Sendo assim, a análise da balança comercial torna-se relevante nas discussões sobre oferta nacional, sobretudo nos últimos três anos, tendo em vista a crescente participação das importações na disponibilidade de leite e derivados no mercado brasileiro.

Em 2025, as importações totalizaram cerca de 2,148 milhões de litros de leite equivalentes, correspondendo a quase 8% do total de leite inspecionado. As exportações, por sua vez, registraram cerca de 66 milhões de litros, sendo esse volume apenas 0,2% do leite inspecionado. Em 2024, as porcentagens eram de 9% e 0,3%, respectivamente, demonstrando diminuição da participação do comércio internacional na disponibilidade interna em 2025, tendo em vista pequena queda das importações e alta da produção brasileira (figura 1).

Ao analisar a importação de 2025 ao longo dos meses (figura 2), observa-se que o primeiro trimestre registrou volumes maiores, enquanto o período de entressafra registrou volumes relativamente menores, inclusive abaixo dos volumes de 2024.

De modo geral, as importações de 2025 registraram queda de 6% em comparação a 2024, o que pode ser explicado, entre outros fatores, por aspectos de competitividade do produto nacional em relação ao importado.

Isso fez com que, em 2025, o diferencial entre o preço de importação e o nacional fosse se reduzindo, diminuindo a competitividade do importado. É preciso levar em conta, em 2025, a valorização do real frente ao dólar (10,5%) e a desvalorização do peso argentino diante do dólar (-35,2%).

De modo geral, o ano de 2025 iniciou com preços ao produtor em patamar superior ao do ano anterior, o que, em determinados momentos, pode ter reduzido a competitividade do produto nacional.

Com isso, o diferencial entre o preço no atacado e o preço de importação se ampliou no inicio de 2025, tornando a importação relativamente mais atrativa. Ao longo do ano, no entanto, o produto nacional foi ganhando competitividade.

LEITE EM PÓ E MUÇARELA: PRODUTOS DE IMPORTAÇÃO MAIS RELEVANTES

A linha verde da figura 2 indica a média de importações de 2021 a 2023, ilustrando que, apesar da variação anual negativa, o ano de 2025 apresentou volume de importação superior a média dos últimos anos em todos os meses. Isso demonstra que, mesmo em desaceleração, o Brasil ainda apresentou alto volume de leite importado.

Para melhor compreensão da dinâmica da importação, e importante observar a composição das trocas comerciais de lácteos, tanto sob a ótica dos produtos comercializados quanto dos principais parceiros comerciais envolvidos nesses fluxos (tabela 1).

Sob a ótica dos produtos importados, observa-se a predominância do leite em pó integral, correspondendo a cerca de 50% de todo o volume de importação (em litros de leite equivalentes no ano). Em relação a 2024, as importações deste produto foram reduzidas em 10,5%, o que representa 126 milhões de litros equivalentes. O leite em pó desnatado, segundo maior produto da balança de lácteos, apresentou avanço expressivo de 30% em 2025 – ou 23,6% das importações do ano.

Além do leite em pó, o queijo muçarela e um produto relevante na composição da importação brasileira, representando 14,2% da importação total, e também sofreu queda de 23,7% na comparação com 2024. Isso trouxe impacto na importação total de cerca de 95 milhões em litros de leite equivalentes. Juntos, leite em pó (integral e desnatado) e queijo muçarela representam 87,8% do volume de leite importado pelo Brasil.

Finalmente, ao analisar a origem das importações brasileiras de leite, observa-se forte concentração nos países do Mercosul, com a Argentina se destacando nesse cenário. No caso do leite em pó integral, 50% das importações brasileiras vieram daquele país. Nesse contexto, vale destacar que 95% do leite em pó integral importado tem origem em países membros do Mercosul (figura 3).

Em síntese, observa-se que o comercio internacional segue exercendo papel relevante na composição da disponibilidade interna de lácteos no Brasil, conforme dados sobre o volume importado em 2024 e 2025. Ainda que tenha ocorrido redução pontual em 2025 em relação ao ano anterior, os níveis de importação permaneceram elevados em termos históricos.

Além disso, a balança comercial do setor mostra um padrão de concentração das importações em determinados produtos e países. Nesse contexto, o acompanhamento desses fluxos permanece relevante para a compreensão da dinâmica de abastecimento do mercado brasileiro de lácteos e na formação de preços.

 

Fonte: Anuário Leite 2026 (Embrapa Gado de Leite)

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