Cresce procura por fontes alternativas para alimentação animal

Cresce procura por fontes alternativas para alimentação animal

05 de novembro, 2020

Um amplo conjunto de subprodutos do agronegócio - como sobras e resíduos das atividades agrícola e agroindustrial - vem ganhando terreno como fonte alternativa para nutrição animal, em substituição ou complemento a itens mais tradicionais como milho ou farelo de soja.

Exemplos são farelo de girassol, trigo e glúten; polpa cítrica (foto); bagaço de cana-de-açúcar, laranja e mandioca; casca de amendoim e arroz; palhada de feijão; DDG (resíduo do grão de milho usado para fabricação de etanol); entre tantos outros.

Segundo a Embrapa, quando há mais opções de ingredientes, também aumentam as chances de atender as exigências nutricionais de rebanhos e plantéis, com a obtenção de respostas positivas no ganho de peso.

Este novo cenário vem ganhando força, por exemplo, em razão, da forte tendência de elevação no preço do milho e preocupações com relação à oferta, devido à demanda aquecida pelo grão, tanto interna quanto externa neste segundo semestre. Além de ser o principal insumo para alimentação de suínos e frangos de corte, o milho também vem sendo cada vez mais utilizado na bovinocultura, com o incremento ano a ano de animais terminados em confinamento.

Conjuntura

“Diante desta conjuntura do mercado do milho, identificamos um aumento próximo a 40% na procura por fontes alternativas para alimentação animal em nossa plataforma entre julho e setembro”, diz Thiago Mateus, founder da Agro2Business, marketplace especializado exatamente na comercialização e monetização de subprodutos/coprodutos do agronegócio.

Em recente webinar no canal do Youtube da Agro2Business, a engenheira agrônoma Beatriz Elisa Bizzuti, pesquisadora do Centro de Energia Nuclear da Agricultura (Cena), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, destacou o potencial nutricional de subprodutos agroindustriais para boa alimentação de ruminantes, a partir de estudo desenvolvido por ela.

De acordo com Mateus, “a crescente digitalização no agronegócio, acelerada pela pandemia, também mostrou ao mercado que a comercialização convencional, off-line, dos subprodutos/coprodutos do agronegócio estava defasada, sendo limitada, baseada em contatos locais, buscas por telefone e pesquisas aleatórias na internet”.

Por meio de funcionalidades de geolocalização, ranqueamento de usuários e compra protegida – que assegura o pagamento para o vendedor e a veracidade e entrega do produto para o comprador –, a Agro2Business vem ampliando as oportunidades de negócios e de monetização ao expandir as conexões dos participantes da cadeia produtiva de subprodutos/coprodutos do agronegócio.

Em relação ao modelo de negócios, Mateus destaca que o cadastro é gratuito tanto para vendedores quanto para compradores. “Apenas quando uma operação é concretizada é que há um pequeno valor de corretagem, que é deduzido do vendedor”, esclarece. A meta da Agro2Business, até o final do ano, é saltar de 1,2 mil para três mil usuários e de 800 para cinco mil anúncios.

Parceiro corporativo

Outro movimento identificado, salienta o executivo, foi a procura por parte das empresas de saúde e nutrição animal para venda dos seus respectivos produtos prontos na plataforma. “Como estas fabricantes já operam na Agro2Business na compra de matérias-primas, também passaram a usar a plataforma para comercializar seus produtos acabados, com foco em redução de custos e ganhos de escala.”

 

Fonte: Agro em Dia

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