Mercado do leite busca novo equilíbrio após pico de captação

Mercado do leite busca novo equilíbrio após pico de captação

19 de fevereiro, 2026

O mercado de leite brasileiro começa 2026 sob ajuste, após um ciclo de forte expansão da produção que desorganizou a relação entre oferta e demanda ao longo de 2025.

Segundo análise da StoneX, o avanço expressivo da captação no último ano foi impulsionado por rentabilidade favorável ao produtor e custos relativamente controlados. O resultado foi um volume de leite acima da capacidade de absorção do mercado, pressionando preços em todos os elos da cadeia.

A consequência direta foi a compressão das margens, sobretudo no campo. A queda mais intensa nos preços ao produtor ao longo do segundo semestre de 2025 reduziu significativamente a rentabilidade, mesmo com custos de alimentação ainda considerados estáveis. Para 2026, a expectativa é de manutenção dos volumes, porém sem novos saltos de crescimento.

A leitura do mercado indica que a restrição de margens tende a moderar a produção a partir do segundo trimestre, criando condições para um reequilíbrio gradual entre oferta e demanda. Sinais iniciais desse movimento já aparecem no mercado spot, que registrou alta em janeiro após uma sequência de recuos na segunda metade de 2025. O comportamento sugere ambiente mais firme entre as indústrias.

No campo dos preços, a tendência projetada é de recuperação progressiva ao longo de 2026, em ritmo semelhante ao observado no início de 2024. Esse avanço, contudo, dependerá da capacidade do mercado interno de absorver a oferta disponível. Para o produtor, a combinação entre custos mais estáveis e possível reação dos preços pode aliviar parcialmente as margens no primeiro semestre, desde que o equilíbrio se consolide.

No varejo, os lácteos acumularam deflação no IPCA em 2025, movimento que se estendeu ao início deste ano. A redução dos preços ao consumidor não decorreu de enfraquecimento da demanda, mas da abundância de leite no mercado. Como as quedas foram mais intensas no produtor e no atacado do que no varejo, existe espaço para repasses parciais ao consumidor ao longo de 2026, condicionados à renda das famílias e às estratégias comerciais.

No cenário externo, as importações encerraram 2025 em patamar elevado, ainda que abaixo de anos anteriores. Em janeiro de 2026 houve avanço mensal, mas com volumes inferiores aos registrados em 2024 e 2025. Apesar da relevância dos embarques, o principal fator de oferta continua sendo o crescimento da produção interna.

Em perspectiva estrutural, o acordo entre Mercosul e União Europeia adiciona uma variável competitiva ao setor. A redução gradual de tarifas e a criação de cotas para leite em pó, manteiga e queijos ampliam o espaço para produtos europeus ao longo de até dez anos. Enquanto as exportações do bloco sul-americano permanecem residuais, as importações oriundas da Europa já têm peso na oferta doméstica.

O novo ciclo do mercado de leite, portanto, exigirá ganhos de eficiência e maior disciplina produtiva. O ano de 2026 será menos sobre expansão e mais sobre ajuste.

 

Fonte: eDairy News

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