O que o leite pode revelar sobre o estresse térmico em vacas leiteiras
22 de julho, 2026
Cada teste de leite captura milhares de pontos de dados que vão muito além dos percentuais de gordura e proteína. Já usamos esses dados para fazer inferências sobre metabolismo ou saúde, mas e se pudéssemos usá-los para revelar informações sobre resiliência ao calor?
Uma recente pesquisa sugere que a espectrometria de infravermelho médio (MIR) do leite pode se tornar uma ferramenta inesperada para selecionar vacas leiteiras mais preparadas para lidar com o estresse térmico. Em vez de depender de medições ambientais, como o índice de temperatura e umidade (ITU), a abordagem estima a resposta fisiológica individual de cada vaca usando informações coletadas por meio do controle leiteiro de rotina.
Se validada em populações adicionais, a abordagem pode oferecer uma nova forma prática de selecionar resiliência ao calor usando dados já gerados pelos testes rotineiros no rebanho. Mais importante ainda, o trabalho sugere que a biologia da tolerância ao calor vai além da temperatura, com genes envolvidos no balanço energético surgindo ao lado daqueles tradicionalmente associados ao estresse térmico.
Repensando como a tolerância ao calor é medida
Selecionar bovinos que suportem melhor o estresse térmico tornou-se um objetivo de melhoramento cada vez mais importante, mas medir a tolerância ao calor nunca foi simples.
A maioria das avaliações genéticas atuais estima a tolerância ao calor medindo mudanças na produção à medida que a temperatura e a umidade aumentam. Essas abordagens de norma de reação avançaram os esforços de seleção, mas também têm limitações importantes.
As avaliações tradicionais de tolerância ao calor podem ser desafiadoras porque:
- Dependem de medições ambientais como o ITU, em vez da resposta fisiológica individual de cada vaca.
- Medem principalmente perdas de produção, em vez de adaptações biológicas mais amplas ao estresse térmico.
- Frequentemente apresentam uma relação antagônica com a produção de leite, tornando mais difícil a melhoria simultânea.
- Exigem o cruzamento de registros de produção com dados ambientais para avaliações genéticas em larga escala.
Pesquisadores da Universidade de Liège adotaram uma abordagem diferente. Em vez de perguntar quanto a produção de leite caiu durante o tempo quente, eles questionaram se o próprio leite continha informação biológica suficiente para identificar vacas sofrendo estresse térmico.
Usando mais de um milhão de espectros MIR do leite coletados de mais de 82 mil vacas da raça Holandesa, eles aplicaram um modelo de predição previamente desenvolvido que classificava as vacas como "não afetadas", "intermediárias" ou "afetadas" pelo estresse térmico, com base apenas em mudanças detectadas nos espectros rotineiros do leite. A análise genética subsequente incluiu mais de 171 mil registros de leite de 64.035 vacas em 603 rebanhos.
Uma característica hereditária com potencial para seleção
Para que qualquer novo fenótipo tenha valor em um programa de melhoramento, ele precisa ter um componente genético.
Os pesquisadores estimaram a herdabilidade do fenótipo de estresse térmico derivado do MIR em 0,10. Embora modesta, a estimativa está dentro da faixa relatada para outras características relacionadas ao estresse térmico, sugerindo que o fenótipo contém variação genética suficiente para apoiar a seleção.
A equipe também examinou como o novo fenótipo se relacionava geneticamente com outras características economicamente importantes. Um dos achados mais encorajadores foi o antagonismo relativamente fraco com a produção de leite, em comparação com muitas características tradicionais de tolerância ao calor baseadas no ITU.
A correlação positiva relativamente pequena com a produção de leite sugere menos antagonismo genético com a produção do que o relatado para muitas características convencionais de tolerância ao calor baseadas no ITU. Ainda mais marcantes foram as correlações negativas moderadas com fertilidade e longevidade, indicando que animais geneticamente predispostos a menores escores de estresse térmico pelo MIR também tendiam a ter mérito genético mais favorável para desempenho reprodutivo e vida produtiva.
A genética por trás da resiliência ao calor
Para entender melhor a biologia subjacente ao novo fenótipo, os pesquisadores realizaram um estudo de associação genômica ampla (GWAS) que identificou 12 regiões genômicas associadas à resposta prevista ao estresse térmico. Várias delas se sobrepuseram a genes já implicados na tolerância ao calor, fornecendo confiança adicional de que o fenótipo derivado do MIR reflete diferenças biológicas significativas, e não apenas mudanças na composição do leite.
Fonte: Dairy Herd Management
Traduzido e adaptado pelo Canal do Leite
Disponível em: https://www.dairyherd.com/news/education/what-milk-can-tell-us-about-heat-stress








































