Com oferta limitada, preço do leite sobe 10,5% em março
05 de maio, 2026
O preço do leite pago ao produtor subiu em março/26, pelo terceiro mês consecutivo, cumprindo a expectativa dos agentes de mercado de que a redução na oferta puxaria para cima as cotações em intensidade superior que a observada nos meses anteriores.
De acordo com o CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a alta foi de 10,5% frente a fevereiro, levando a “Média Brasil” a R$ 2,3924/litro. O preço, contudo, ainda está 18,7% abaixo do registrado em março/25 (em termos reais). No primeiro trimestre de 2026, a elevação acumulada é de 17,6% e a média é de R$ 2,2038 por litro, sendo 23,6% menor que a registrada no mesmo período do ano passado (valores deflacionados pelo IPCA de março/26).
O movimento de alta seguiu sendo explicado pelo aumento da competição dos laticínios na compra do leite cru, já que a oferta seguiu restrita. O ICAP-L (Índice de Captação de Leite) caiu 3,9% de fevereiro para março na Média Brasil, acumulando queda de 11,1% neste primeiro trimestre. O recuo na produção ocorre devido à sazonalidade (que afeta negativamente a oferta de pastagem e eleva o custo com a nutrição animal) e à maior cautela de investimentos na atividade diante de margens mais estreitas ao longo de 2025. Segundo a pesquisa do CEPEA, em março/26, o Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade continuou subindo, com alta de 0,46% na “Média Brasil” (acumulando avanço de 2,11% no primeiro trimestre).
Com a menor disponibilidade de leite, a produção de lácteos também ficou mais limitada e os preços dos derivados seguiram aumentando em março. Um levantamento realizado pelo CEPEA mostra que o leite UHT se valorizou 18,3% e a muçarela 6,1%, de fevereiro para março (em termos reais). Os preços seguiram tendência altista até a primeira quinzena de abril, mas – a partir de então – as negociações já ficaram mais travadas e os valores passaram a se enfraquecer.
As importações, por sua vez, cresceram 33% em março, somando um total de 604 milhões de litros em equivalente leite (EqL) no primeiro trimestre de 2026 – apenas 0,9% menor do que no mesmo período do ano passado.
A expectativa é de que o mercado siga em trajetória de valorização em abril, mas esse movimento deve perder intensidade a partir de maio. Isso porque o consumo mostra resistência aos preços mais altos na gôndola, afetando as cotações dos derivados. Ao mesmo tempo, importações seguem sustentadas e existe expectativa de reação da produção – o que eleva a cautela da indústria em realizar novos repasses ao campo entre maio e junho.

Fonte: CEPEA – Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada






































