O gênio brasileiro que ajudou a transformar a indústria bilionária do Whey Protein
21 de abril, 2026
Grosso modo, no processo de produção do queijo (qualquer um deles), o leite é “talhado”, gerando há uma separação entre os sólidos e o soro do leite. Os sólidos são usados para a produção dos diferentes queijos e o soro – quando não aproveitado – costumava ser descartado. Eis que aparece o Whey Protein (proteína do soro de leite, na tradução para o português).
O Whey Protein, não com esse nome, surgiu em algum momento no século XVIII, quando Carl Wilhelm Scheele1 – um dos maiores químicos da história – se interessou pelo soro do leite e descobriu sua composição (fazendos estudos com o ferramental da época).
Em 1931, Gerhard Hannappel, da Alemanha, registrou a primeira patente para extrair e purificar a proteína do soro, tornando-a mais útil.
Na década de 50, o fisiculturista americano Bob Hoffman criou um produto que podemos considerar o avô do Whey Protein. Ele lançou um shake de proteínas chamado Hi-Proteen. O produto nada tinha a ver com o Whey Protein, mas teve o mérito de criar um mercado com foco em atletas de academia.
Finalmente, na década de 70, o engenheiro de alimentos brasileiro Roberto Hermínio Moretti (foto abaixo) desenvolveu um método para filtrar, concentrar e desidratar a proteína do soro, melhorando seu sabor e sua durabilidade, o que foi crucial para a sua popularização.
Quando um brasileiro descobre algo, ele normalmente não recebe apoio das pessoas do seu país. O reconhecimento geralmente vem de fora. A Coca-Cola, que tinha a patente do método, vendeu a ideia para laboratórios dos Estados Unidos, os quais se interessaram pois perceberam que o produto tinha muito potencial.
As primeiras empresas americanas a produzir o Whey Protein, como o conhecemos hoje, o fizeram a partir da década de 70, já com a tecnologia criada por Roberto Hermínio Moretti. Foram elas: Twinlab, Universal Nutrition, Nature’s Best, entre outras.
Trazendo a assunto para o Brasil
Apesar de ter a maior bacia leiteira do Brasil, com mais de 27% da produção nacional, Minas Gerais não tem uma única fábrica de Whey Protein. O estado detém grande parte da produção do queijo brasileiro e – desta forma – tem uma quantidade descomunal de soro, a matéria prima do Whey Protein.
Veja na tabela abaixo onde é feito o Whey Protein brasileiro (de São Paulo para o sul do país).
O Whey Protein foi uma das maiores descobertas da engenharia de alimentos, um produto que era jogado fora e, a partir das pesquisas do engenheiro Roberto Hermínio Moretti, virou uma indústria bilionária. Podemos dizer que ele representa para a Engenharia de Alimentos o que Cesar Lattes2 representou para a física no Brasil. Uma pena que o país não reconheça seus gênios e heróis.
Assista o vídeo a seguir para conhecer um pouco mais sobre o trabalho deste grande brasileiro: https://www.youtube.com/watch?v=HSQV4_4MgA4.
*Notas
1) Carl Wilhelm Scheele foi um químico farmacêutico de origem sueca, nascido em 1786. Ele foi o descobridor de muitas substâncias químicas, tendo descoberto o oxigênio antes de Joseph Priestley. Scheele descobriu também outros elementos, tais como: o cloro, o bário, o manganês, o molibdênio e o tungstênio, além de diversos compostos químicos.
2) Cesare Mansueto Giulio Lattes, mais conhecido como Cesar Lattes, é um dos mais ilustres físicos do Brasil e seu trabalho foi fundamental para o desenvolvimento da física atômica no país. Em sua homenagem, o CNPq deu seu nome ao sistema utilizado para cadastrar cientistas, pesquisadores e estudantes. Ele foi candidato a dois prêmios Nobel de Física e não ganhou, segundo alguns, por questões políticas.
Fonte: Trilhos do Rio





































