Preço do leite ao produtor sobe 8% e atinge recorde para o mês de junho

Preço do leite ao produtor sobe 8% e atinge recorde para o mês de junho

17 de julho, 2021

A pesquisa mensal do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA/Esalq/USP) mostrou que o preço do leite captado em maio - e pago aos produtores em junho - registrou forte alta de 8% na "Média Brasil" líquida, indo para R$ 2,201/litro.

A pesquisadora do CEPEA Natália Grigol observa que o valor ficou 34,9% acima do registrado no mesmo mês do ano passado, em termos reais, e é um recorde para o mês de junho, considerando-se a série histórica do CEPEA (os dados foram deflacionados pelo IPCA de maio/21). No primeiro semestre deste ano, o preço médio do leite recebido por produtores está em R$ 2,05/litro e supera em 33,6% o preço do mesmo período de 2020.

Natália Grigol explica que o atual cenário é resultado da oferta limitada de leite no campo. “Sazonalmente, durante o outono e inverno, o menor volume de chuvas prejudica a qualidade das pastagens e, consequentemente, a alimentação volumosa do rebanho. Neste ano, além de a seca ter sido mais intensa, a expressiva elevação do preço do concentrado tem dificultado os investimentos na atividade e reforçado a menor produção de leite nos últimos meses.”

Os levantamentos do CEPEA mostram que o preço do concentrado subiu 4,4% de abril para maio, acumulando alta de 12% em 2021, influenciado pela valorização nos mercados de grãos. O poder de compra do pecuarista leiteiro em relação ao milho em maio caiu pelo quinto mês consecutivo.

Enquanto em abril eram precisos 48,97 litros de leite para adquirir uma saca de 60 kg de milho (base Campinas/SP), em maio, foram necessários 49,46 litros. Frente a junho de 2020, a perda no poder de compra chega a 36%. Além do concentrado, outros insumos também encareceram em 2021, como a suplementação mineral e adubos e corretivos, que se valorizaram 10% e 24% no acumulado do ano, respectivamente.

A pesquisadora observa que nesse cenário de custos elevados, o Índice de Captação Leiteira (ICAP-L) do CEPEA recuou 1,67% de abril para maio. “Com a menor oferta de leite em maio, as indústrias elevaram a competição pela compra de matéria-prima, para tentar manter suas posições no mercado lácteo.”

Ela relata que em maio as negociações de leite no mercado spot estiveram aquecidas, com o preço médio em Minas Gerais saltando de R$ 2,19/litro na primeira quinzena do mês, para R$ 2,56/litro na segunda quinzena (aumento de 16,5%). “Com a matéria-prima mais cara e os estoques de lácteos enxutos, os valores dos derivados lácteos também se elevaram: 5,2% no caso do leite UHT; 0,6% no caso do leite em pó; e 11,6% no caso da muçarela.”

Natália Grigol considera importante reforçar que a elevação nos preços dos derivados não significou demanda aquecida. “Agentes consultados pelo CEPEA relataram que as negociações de lácteos seguiram pressionadas pelos canais de distribuição, já que as cotações estão em patamares elevados, e a demanda está fragilizada, por conta do menor poder de compra de grande parcela da população brasileira.”

 

 

Fonte: CEPEA / Esalq / USP

 

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